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Dia 27 de Julho – Dia de São Pantaleão

Para muitos, São Pantaleão é o padroeiro da cidade do Porto. Estando eu a escrever para um jornal que, apesar de lido em todo o país, é pertença da Diocese de Braga, parece, à primeira vista, um pouco insensato e até inoportuno. Penso que depois do que vou escrever, esse sentimento mudará.

Maria Fernanda Barroca
28 Jul 2012

Outros afirmam que o padroeiro da cidade do Porto é São João Baptista, mas estes enganam-se pois, nem São Pantaleão, nem São João Baptista são padroeiros da cidade do Porto, mas sim Nossa Senhora de Vandoma, cuja imagem figura há quase mil anos nas armas da cidade. De facto, no brasão da frontaria dos Paços do Concelho lá vemos escrito que o Porto é a Civitas Virginis – Cidade da Virgem.

Este preâmbulo, contudo não me leva a fugir ao tema destas linhas, referir-me a São Pantaleão cuja festa litúrgica ocorreu ontem, dia 27.

Filho de Eustorgius, que era pagão, a mãe cristã Eubula, criou-o como cristão. Tendo estudado Medicina, tornou-se médico do Imperador Maximiano. Frequentando a corte dissoluta de Maximiano deixou a sua fé e viveu uma vida bastante mundana para um cristão.

Entretanto, eventualmente ele ficou dececionado com vida que levava e com sentimentos de culpa, que só conseguiu vencer com a ajuda do padre e amigo Hermolaus. Regressou à Igreja com uma fé redobrada e converteu   seu pai.

 Deu a sua fortuna para os pobres que tratava, de graça em sua casa, transformada num pequeno hospital. Diz a tradição que algumas das suas curas foram milagrosamente conseguidas, apenas com sua bênção e oração. Foi acusado por outros médicos às autoridades anti-cristãs pela inveja que tinham do seu sucesso na corte.

Durante o seu julgamento ele desafiou quais preces curariam um doente incurável. Os pagãos falharam em curar um paralítico, mas Pantaleão curou o homem com uma prece em nome de Jesus. Muitas das testemunhas do milagre converteram-se. As autoridades tentaram suborna-lo para que renunciasse à fé e oferecesse sacrifícios aos deuses romanos, mas sem êxito. Mesmo ameaçado também falharam – Pantaleão manteve-se fiel.

Foi torturado com afogamento, fogo e atirado as feras selvagens que milagrosamente se deitaram a seus pés. Finalmente pregado em uma árvore e degolado em 305 d. C. É um dos “14 Santos auxiliares”  da Igreja, sendo muito venerado na França e Alemanha. É padroeiro, dos médicos, biólogos e dos doentes pulmonares. Inúmeras igrejas dedicadas a ele foram erigidas de Constantinopla a Roma.

Na Arte litúrgica da Igreja ele é mostrado como um médico segurando um frasco de remédio; ou curando um doente; ou com as mãos acima de sua cabeça pregada em uma oliveira, com uma espada a seus pés; ou com pregos atravessando suas mãos e pés; ou com uma pedra atada a seus pés; ou com uma espada. Sua festa é celebrada no dia 27 de julho.

(1) • O culto aos “14 Santos auxiliares” surgiu no século XIV, na região da Renânia, por ocasião da peste negra que assolou a Europa. • A veneração popular começou nos mosteiros que guardavam as relíquias dos santos – todos martirizados menos Santo Egídio.
• No século XVI, o Papa Nicolau V concedeu indulgências a quem tivesse devoção aos santos do grupo, mas cedo essa devoção caiu no esquecimento.
• Estes mártires têm festas separadas, mas quando foi elaborado o Calendário Católico Romano dos Santos, algumas celebrações tornaram-se individualizadas. Entre elas conta-se Santa Catarina de Alexandria, cuja voz foi ouvida por Santa Joanad’Arc e então, em 2004 o beato João Paulo II, determinou que a sua memória facultativa fosse a 25 de novembro.




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