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“A necessidade de sobrenatural: um super-herói para os mais pequenos, um Deus para os graúdos”

Quem mantém contacto regular com crianças consegue observar a sua grande capacidade de imaginar. Criam mundos fantásticos, autênticos filmes com vilões e super-heróis, princesas presas em masmorras e dragões que expelem fogo pelo nariz. É certo que estas crianças, ao demonstrarem este tipo de atitudes, induzem, para muitos, a uma falta de afeto por parte dos pais, a problemas de adaptação a certos ambientes ou ainda a perturbações mentais genéticas ou adquiridas por traumas.

Inês Henriques
28 Jul 2012

Mas, não será bom para elas exercitarem a sua mente? Acreditarem em algo para além do “palpável”, possuírem o seu próprio ídolo/herói? Obviamente que não é saudável uma criança isolar-se do mundo e apenas viver no imaginário, não só porque começa a perder capacidades comunicativas com o exterior, mas também porque perde a noção dos dois “mundos”, passando a fazer parte do real tudo o que é sobrenatural. Mas acreditar em algo que vá para além da realidade, não só lhe garantirá uma sensação de motivação para outras atividades, pois esse super-herói imaginário, ao tornar-se seu amigo pode encorajá-la a participar, integrar, colaborar e divertir-se, como também aumentará a sua capacidade mental, não se baseando apenas naquilo que vê e começando a distinguir os amigos de “carne e osso” daquele ídolo com quem ela conversa, brinca e integra na sua pequena sociedade.
Contudo, não são apenas as crianças que vagueiam pelo imaginário e acreditam em factos sobrenaturais.Também a faixa etária mais graúda vivencia estes relacionamentos. Para se sentir protegido e realizado, o idoso tende a transpor as suas crenças e ideias na religião. A fé, para ele, não só consiste em acreditar e venerar algo superior a ele, um Deus, mas também em garantir que nada de mal lhe acontecerá, pois aquele protetor ajudá-lo-á sempre que surgir alguma adversidade. Para isso surgem as constantes idas à igreja, as confissões, as orações, para que, de alguma maneira, ele consiga comunicar com Deus e que Ele o possa ajudar ou encaminhar para possíveis resoluções. De certo modo, acreditar e depositar toda a sua fé em Deus, confere ao idoso uma extrema sensação de conforto e sobretudo esperança.
Como nas crianças, também tem o seu lado negativo. A necessidade extrema da religião pode conduzir a um isolamento por parte do idoso, não querendo ver nem acreditar em mais nada do que na sua fé; ou ser essa mesma fé tão forte que o leva a atos de dedicação sobrecarregada e, consequentemente, ao desgaste pessoal.
Para evitar isso, é necessário controlar estas bases que, tanto miúdos como graúdos, possuem. Acreditar em algo sobrenatural ou imaginário faz bem, é saudável e revitalizante, mas nunca em demasia. A fé, a razão e a imaginação têm de fazer um equilíbrio salutar para evitar o efeito oposto.




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