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Portugal ao rubro

No Euro de futebol 2012, como no de 2004, muito do povo português riu, gritou e foi o povo que não costuma ser: nasceram sonhos e sentiu-se uma certa extravagância – pelos menos a hospedagem dos jogadores portugueses foi a mais cara da Europa – para, no fim da minifesta, passar a ser o povo do “deixa correr”, o povo real, isto é, portugueses de tanga, onde só falta pagar uma taxa por se nascer ou morrer ou pela permanência na tumba.

Artur Soares
27 Jul 2012

Bem vistas as verdades que nos apodrecem, não há pensador que, por mais optimista, alegre e verdadeiro que seja, possa dormir ou escrever sobre papel cor de rosa, quanto a tanta pobreza, incompetência e sinais de riqueza, de milhares que governam este quintal sem agricultura e mar. Tem sido esta a paisagem que a terceira república tem oferecido a Portugal e que o mundo conhece.
De tanto se ver triunfar as nulidades, de tanto se ver prosperar a desonra, de tanto se ver crescer a injustiça e a ladroagem aos que trabalham ou trabalharam, de tanto se ver agigantarem os poderes de maus estrangeiros em nosso desfavor, o pensador desanuviado, o filósofo esclarecido ou o moralista limpo, chega a desanimar da virtude, a não acreditar na honra e a ter dúvidas se age honestamente nas 24 horas do dia.
Os mais pessimistas, os que já têm medo do convívio pelas ruas do burgo e os desalentados pelas crateras sofridas na vida, afirmam entre dentes: “se não és político, se não és banqueiro, se não és empresário público, se não és ladrão de milhares ou se não és pedófilo de fato e gravata, tem cuidado, pois a qualquer momento podes ser preso por uma justiça desorientada e sem poder.
Nada do que hoje se diz bate certo com o que se afirmou ontem, e menos sentido faz com o que se pretende no futuro. Não foi por acaso, por distração ou porque estivesse doido, que o General Otelo Saraiva de Carvalho afirmou, há poucos meses atrás, que “agora fazia falta mais que um Salazar”!
Na primeira república, viveu-se em anarquia, no enchimento dos bolsos dos que governavam, na pilhagem de imóveis e em perseguições.
Nesta terceira, neta da outra, dão maus exemplos, roubam milhões através de negócios e da banca e só falam ao povo em austeridades e emigração.
Portugal, a nível político e social, não tem tido treinadores que ensinem a ganhar. Teve um general Humberto Delgado, um Francisco Sá Carneiro e um António Guterres que deram sinais positivos, mas as Forças Secretas traí-ram-nos, e Mário Soares, mudo, agradeceu.
Temos tido democracia ou temos tragado organizações que se têm imposto ao povo com tonalidades adversas? É verdade, temos uma “elite” que tem sido fruta verde, jactante, sem currículo porque feitos pelas câmaras de televisão, e tal indústria tem enfraquecido e derretido a nação inteira.
Verifica-se uma desistência cívica, um descrédito nunca antes sentido, onde tudo é provisório e medo, no seu pano de fundo.
Estes democratas, filhos do Estado Novo e das suas benesses, passaram a acusar antes e pós-Abril de 1974, aquele regime corporativista de entranhar nas mentes a bolorenta ideia de DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA. Pouco tempo depois e após tomarem o poder, têm acrescentado à ideia retrógrada apenas um A à palavra Deus, que é o que, atualmente, impera: “ADEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA”, com os abortos oferecidos e os divórcios à porta do Registo Civil.
Assim, manipulados, temos deixado de ser portugueses, por os nossos republicanos fazerem como as mães, antigamente, ao obrigarem os filhos pequeninos a tomarem o óleo de fígado de bacalhau: temos andado a ingerir ideologias estrangeiras. Uns queriam-nos Russos, outros Chineses e ainda outros, Francesistas.
Esse plágio ou servil seguidismo criou em Portugal os oportunistas de 1910 que, por sua vez, obrigaram o povo a aguentar o Corporativismo.
Os portugueses são fortes, trabalhadores, disciplinados e gostam de ter um líder que seja o maior entre outros líderes. Têm provado, no estrangeiro, o seu espírito de sacrifício, dedicação ao trabalho, o amor ao seu país. Há, por isso, necessidade de construir uma nova mentalidade com base nos valores e competência que sempre nos caraterizaram: trabalho, disciplina, seriedade, respeito pelos governantes e paixão pela família.
Portugal, bem se sabe, não é verdadeiramente culpado por ser um país de poucos recursos, mas será grande culpado se não combater a incompetência, o madracismo e todos os que impõem estrangeirismos, bem como os que vivem na rapacidade.
Não queiramos ser acusados daquilo que um dia afirmou Victor Hugo: “Entre um governo que faz mal e o mal faz e o povo o consente, há uma certa cumplicidade VERGONHOSA”.
Na verdade, Portugal está ao rubro!




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