Fotografia:
Controvérsias públicas

Um tema que tem gerado muita controvérsia e tem feito grandes aberturas de telejornais, principalmente em época estival, é o dos incêndios florestais. Desde muito nova que tenho vindo a assistir, com grande dor, à destruição sistemática do nosso património florestal.

Ana Marta Santos
27 Jul 2012

O meu pai conta-me que, nas férias de verão, costumava passear pela floresta na terra do meu avô, que fica ali entre Pombal e Ansião, na Beira Baixa. Percorria os caminhos sem nunca saber o que estava mais à frente, pois a densidade de pinheiros formava como que uma parede. Diz que se lembra do cheiro forte a cerne e a resina, mas eu não sei que cheiro é esse, do murmurar do vento na copa dos pinheiros… enquanto, cá em baixo, reinava o silêncio e a quietude…
“O pinhal”, como eles lhe chamavam, não passa agora de montes e vales a perder de vista, despidos e desolados. As grandes matas de pinheiro bravo já desapareceram e foram substituí-das, sistematicamente, por eucaliptais que mais não fazem do que desertificar os solos e secar nascentes.
O eucalipto é uma árvore oriunda da Oceânia, trazida para a Europa pelos primeiros navegadores e exploradores marítimos. Algumas das suas espécies foram exportadas para outros continentes onde têm ganho uma importância económica relevante, devido ao facto de crescerem rapidamente e serem muito utilizadas para produzir pasta de celulose usada no fabrico de papel e madeira.
Ainda não consegui chegar a uma conclusão, quanto ao motivo por que as nossas florestas ardem. Sei, isso sim, que, em grande percentagem dos casos, os fogos são de origem criminosa. A violência e a extensão dos incêndios florestais, nestes últimos anos, têm destruído centenas de hectares de floresta.
Sempre houve festas com fogo-de-artifício, sempre se fumou nas matas, sempre se fizeram queimadas. Então por que é que antigamente não havia tantos fogos? O que levará os incendiários a praticar este tipo de crime?
Os media vão alertando para os perigos e para a prevenção embora, por outro lado, não se coíbam de fazer o jornalismo da desgraça para cativar audiências, com grandes aberturas de telejornais, mostrando o país a arder e, por estranho que possa parecer, quase nunca mencionam que os fogos são de origem criminosa.
Que fazem as autoridades? Tentam arranjar mais meios para este combate desigual.
A solução talvez passasse por uma verdadeira política de prevenção, uma aposta concreta na vigilância da floresta, na criação de um corpo específico de guardas florestais, com meios e com remuneração mensal.
A profissionalização dos bombeiros a nível nacional também contribuiria para um melhor desempenho destes homens, visto que os iria motivar e proporcionar melhores e mais eficazes meios de combate.
Quanto à limpeza da floresta, esta deveria ser obrigatória para quem seja proprietário, tal como faz o meu pai, que zela pela limpeza dos terrenos e pelo desbaste e poda de árvores dos terrenos que eram do meu avô.
O Estado também deveria dar o exemplo, como acontece em países como os Estados Unidos ou o Canadá, onde os presos e os condenados de pequeno delito, em vez de estarem a viver às custas do erário público, fazem trabalho comunitário na limpeza de matas e florestas. Que melhor castigo para quem é criminoso? Penso até que alguns se sentiriam mais úteis à sociedade.
Mas, em Portugal isso, infelizmente, ainda não acontece. No caso dos incêndios é bem visível o desgoverno e a má gestão. Onde está a reflorestação com espécies nativas? Vê-se, sim, a substituição da floresta mediterrânica por extensos eucaliptais e a busca pelo lucro rápido. Será esse o motivo dos incêndios?




Notícias relacionadas


Scroll Up