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O exemplo do Sporting

Embora já se tenham iniciado ontem, “oficiosamente”, os Jogos Olímpicos de Londres, com a realização de encontros de futebol, só amanhã (sexta-feira) terá início, oficialmente, a 30.ª edição das Olimpíadas da Era Moderna, com a habitual e solene Cerimónia de Abertura.

Pedro Álvares de Arruda
26 Jul 2012

Nestes Jogos, que decorrem até 12 de agosto – e são justificadamente classificados como “o maior evento desportivo do planeta” –, vão competir 77 atletas portugueses (entre mais de 10.500 atletas presentes), disputando 13 das 39 disciplinas em competição.
Nesta terceira vez que Londres recebe os Jogos Olímpicos (já os havia organizado em 1908 e 1949), há um facto que tem passado despercebido aos “meandros desportivos” portugueses e que, a meu ver, convém evidenciar: a circunstância de o Sporting Clube de Portugal ser o único clube no mundo (repito: o único clube no mundo!) que marcou presença em todas as edições das Olimpíadas nos últimos 50 anos!
Numa altura em que o desporto nacional – à semelhança do que se verifica em quase todos os demais setores da vida portuguesa – está profundamente afetado pela insuficiência económica que se vive no país, é importante que os desportistas e, sobretudo, as chamadas “forças políticas” olhem (com olhos de ver…) para este facto digno de registo e apoiem as diferentes modalidades olímpicas (e não apenas o futebol…).
A maioria dos clubes que promovem este tipo de modalidades passa, atualmente, por dificuldades sérias de “sobrevivência”. E sem o chamado apoio institucional, grande parte desses clubes morrerá paulatinamente – primeiro, acabando com algumas disciplinas mais dispendiosas e menos “populares”; depois, declarando “falência total” e a consequente extinção.
Ora, uma situação desse jaez deixará ainda mais pobre o país e desmotivará muitos milhares de jovens que, tanto nas escolas (no chamado “desporto escolar”) como nos “clubes olímpicos” ainda vão remando contra a maré, desenvolvendo uma prática desportiva que, para além de lhes proporcionar estilos saudáveis de vida, contribui decisivamente para – ao menos uma vez de quatro em quatro anos… – fazer hastear a Bandeira verde-rubra nos mais altos palcos do desporto mundial.
O exemplo do Sporting deve ser, por isso, exaltado, seguido e apoiado, especialmente num período (como este por que passamos) em que a maioria dos clubes, debatendo-se com falta de dinheiro, se volta quase exclusivamente para o futebol e vai deixando perecer, pouco a pouco, as demais modalidades – que são, precisamente, aquelas que maior número de jovens atletas “assimilam”.
Caso alguns dos 77 atletas portugueses que, a partir de amanhã, vão competir em Londres, consigam chegar ao pódio e arrecadem uma medalha (e estamos esperançados que isso aconteça), estou certo de que o país vai prestar-lhes as honrarias que merecem. Mas também estou convicto de que a melhor homenagem que lhes pode ser feita – e que eles desejam… – é a de que terão a garantia de poderem continuar a praticar o desporto da sua paixão, contando, para isso, com o apoio financeiro institucional de que necessitam para esse efeito. Porque, por mais importantes que sejam os “panegíricos” e os discursos doces, estes não pagam as despesas de que necessita a alta competição!




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