Fotografia:
A recuperação dos verdadeiros valores humanos (18)

A moralidade e toda a vertente espiritual do homem vão estiolando no respeitante à obrigação e aos hábitos educativos dos pais que olvidam que o caminho para um mundo melhor se faz através dos filhos e que, por isso, as ideologias, boas ou más, são perpetuadas pela mentalidade de seus descendentes. Moldar os jovens é fundamentalmente um dever dos pais e só depois é que pertence às escolas.

Artur Gonçalves Fernandes
26 Jul 2012

O melhor treino ou instrução que um pai pode dar ao filho é ensiná-lo a desenvolver-se a si mesmo, de um modo integral, sem esquecer, nomeadamente as áreas do autodomínio, da correta conduta e da dignidade humana. Eleanor Roosevelt disse que “o mundo está cheio de coisas que nenhum ser humano pode conhecer inteiramente. Os intelectualmente amadurecidos estão habitualmente ansiosos por aprender e sabem que nem toda a sabedoria se adquire por se tirar um diploma universitário”. E então se se tratar de diplomas de plástico ou de pluma, como se veem por esse mundo fora, a situação agrava-se mais. E assim, os incompetentes (licenciados ou não) proliferam e, infelizmente, vão governando as sociedades. E quem sofre as consequências dessas más governações são sempre os mesmos, ou seja, aqueles que nada contribuíram para tais situações de descalabros financeiros, sociais, culturais e cívicos.
Tais responsáveis governativos não têm autoridade moral. A vida é, muitas vezes, composta por um processo alternado de aprender e desaprender, no qual, não raramente, será mais conveniente desaprender, tal é a dose de intoxicação de conteúdos totalmente vazios de qualquer tipo de enriquecimento formativo real e proveitoso. Só aprendendo e obedecendo às leis intrínsecas (embora não escritas) da natureza humana é que o homem pode atingir a perfeição e tornar-se uma pessoa realizada. A maior parte dos nossos problemas e lutas desaparece quando se compreendem e usam adequadamente as leis da natureza, as quais podem exigir uma revolução ao nível da mente e do coração.
Os jovens estudantes, para alcançar estes e outros objetivos, devem seguir algumas regras básicas que não podem perder de vista. Em primeiro lugar, devem orientar o seu estudo para um fim determinado. Em seguida, devem expurgar as pontas desnecessárias, fixando e solidificando as ideias fundamentais. No passo seguinte, o estudante deve refletir sobre o que aprendeu e fazer uma crítica serena e construtiva, à medida que vai avançando. Deste modo, burilando, solidificando e completando as novas ideias e conceitos que lhe vão surgindo, o estudante, com os seus próprios pensamentos, pode aplicar melhor os seus conhecimentos adquiridos e as experiências acumuladas. Finalmente, o indivíduo que estuda estará em condições de utilizar os seus novos conhecimentos que irá enriquecendo continuamente.
Recordemos que o homem, sem exceção alguma, aprende até morrer e têm a obrigação de se aperfeiçoar no dia a dia. No entanto, devemos saber que é um erro desastroso deixar-se levar pela fome ou por uma ânsia excessiva de novos conhecimentos e de novas experiências, perdendo-se o tempo que se devia dedicar a pensar, a refletir, a analisar, a compreender e a utilizar aqueles que já se adquiriram. A vontade de aprender é uma grande atitude, mas não pode ser maior que a vontade de compreender e de bem utilizar os conhecimentos já adquiridos. Importa mais saber o valor e a utilidade de “tudo”, do que saber tudo.
Deve-se ter a preocupação de saber apreciar o que aprendemos e ordenar o que sabemos. Então compreenderemos que não é o que sabemos, mas o que usamos inteligentemente que tem valor. Saber é poder em potência. Apenas se torna em verdadeiro poder quando for ordenado em planos de ação bem definidos e orientado para um fim corretamente selecionado.
A verdadeira sabedoria consiste na técnica da utilização dos conhecimentos, no poder de discernimento e na capacidade de os pôr em prática. O intelecto cresce apenas pelo próprio trabalho e pela livre vontade de cada de nós. Os livros e os professores são apenas ajudas, embora importantes e cruciais. “Com tudo o que aprenderes aprende a compreender” – disse Salomão.




Notícias relacionadas


Scroll Up