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Divagando!

No último domingo, um dia de sol radiante e céu claro, fui matar saudades do mar escutando de perto o marulhar das suas ondas. Às vezes é preciso desligarmo-nos dos imensos ruídos que nos cercam e meditar sobre aquilo que fomos guardando. É que mesmo querendo esquecer, há temas que não nos abandonam.

J. M. Gonçalves de Oliveira
24 Jul 2012

Os incêndios, que a cada ano nos vão empobrecendo, espalhando destruição e morte, continuam a flagelar o país sem se vislumbrar soluções de fundo que os contenham. Em cada época estival ouvem-se queixas, discutem-se planos e fazem-se promessas periodicamente escutadas.
Para quando uma política consertada, abrangendo os diferentes ministérios envolvidos neste verdadeiro drama nacional, capaz de o combater com eficácia?
A exigência de fatura, que agora o ministro das Finanças quer fazer exigir a cada português, mesmo nas quantias mais irrisórias, transformando cada um de nós, graciosamente, em agente tributário, tornou-se motivo de desdém. E se houvesse arrojo para universalizar a medida, conferindo-lhe total transparência e incentivos evidentes? Estímulos que poderiam passar por deduzir percentagens diferentes consoante se tratassem de bens essenciais, menos precisos, ou artigos de luxo.
A turbulência no Ensino, com milhares de professores com o futuro suspenso e algumas vozes a questionarem uma reforma que ainda não conhecem é outro motivo de desassossego. Igualmente já se leem e ouvem opiniões sobre os propósitos do ministro da tutela, amaldiçoando as suas intenções e atribuindo-lhe o objetivo de estratificar as crianças a partir dos 10 anos, de acordo com as decisões dos seus progenitores.
E se a reestruturação em curso pretender, especialmente, dar mais eficiência ao sistema de ensino reformando, por exemplo, os Cursos de Educação e Formação de Jovens e os de Educação e Formação de Adultos cujos resultados deixam muito a desejar?
O alvoroço social é um estado de alma coletivo que se alimenta das dúvidas e das indecisões e amplia facilmente os seus ecos por quantos sentem perigar a sua própria segurança. Aqui e ali, em recato, este alarme já se torna percetível, mas é importante suster a sua difusão.
Deste modo, não seria mais prudente a quem nos governa, agir com a firmeza necessária, mas evitando dúbias interpretações ou, pior ainda, deixando no ar a possibilidade de medidas mais gravosas?
Naquele fim de tarde, em estilo de confissão, partilhei com as vagas os meus temores que, em movimentos renovados, pareciam querer trazer-me à memória outros assuntos que teimam em quebrar o habitual sossego desta cálida estação do ano.
O tempo foi-se escoando e quando ainda emergiu na consciência a continuada instabilidade do euro, o massacre no Colorado e o morticínio na Síria, era tempo de regressar.
Na volta, permaneceu a esperança que as maiores severidades do tempo que passamos irão valer a pena.




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