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Novos mercados

Não quero voltar a falar da escandalosa licenciatura de Relvas. De tanto nela se falar, até a relva viçosa dos jardins públicos me parece apodrecida e amarelada por tantas calcadelas. As exportações comportam-se de uma maneira que me leva a concluir que, afinal, temos empresários que rivalizam com a globalidade dos mercados e com eles se batem taco a taco.

Paulo Fafe
23 Jul 2012

Já há muito tempo se dizia que, sem diversificação de mercados extraeuropeus, poderíamos estar em perigo motivado pela crise do velho continente. Se Portugal  fosse exceção, bem depressa passaria a crise europeia. As vaias ao primeiro-ministro ou a outro membro do Governo, as vaias ao Presidente da República nada resolvem porque os males não estão em nenhum deles. Estão na Europa que se apaga lenta mas inexoravelmente comida  pela voracidade dos países grandes que querem, a todo o custo, fazer dos pequenos balcões de vendas dos seus produtos. Nenhum homem rico quer aliança com os pobres a não ser para colher deles mão barata ou trabalho de escravo. E com os países ricos e os países pobres passa-se absolutamente a mesma coisa. Na verdade eles, os ricos, não nos dão nada, emprestam-nos com usura.
Então, se a análise é esta, a pergunta que se põe é saber a razão por que não atiramos com a canga ao ar. Porque uma vez devedor, escravo para sempre. Devedor que quer pagar a dívida e não pode, mais não faz do que pedir ao credor mais tempo para pagar.
Mas quem são os países grandes? A Espanha não é, a Itália também não, a França anda a fingir que é mas não é, os paí-ses do norte vivem uma vidinha para não serem pobres… Só resta a Alemanha e, porque é assim, e assim se sabe que o é, a Sra. Merkel dita as suas leis com a força de qualquer credor. Interessa-lhe este estado de coisas? Claro que interessa. Não tem mais ninguém a disputar-lhe a hegemonia. Os seus bancos emprestam a juros especulativos; se todos estivessem bem, se ninguém precisasse deles, como estariam as suas finanças? Paradas como as águas de um lago. Portanto, a dívida dos outros é a riqueza deles.
Como poderemos fugir deles? A resposta é simples, mas socialmente muito cara: gastando apenas consoante as nossas posses. No tempo em que isto acontecer, seremos nós com o nosso dinheiro e não andaremos a fingir que somos o que não podemos, com o dinheiro dos outros. Ninguém se iluda mais: a Europa está a ser uma resistente a desistente. Cada cimeira, cada minhoca. Desfez-se o sonho lindo de encontro aos galhos duros e secos da guerra económica alemã. O mal está nesta Europa de uma só potência. A sua cura reside na procura de ir comprar e vender fora da Europa. Construa-se um castelo ao lado daquele que se não pode vencer. Deixar entrar capitais asiáticos, africanos e outros, muitos outros, é o caminho que aponta para a quebra da hegemonia alemã. É preciso que a Alemanha sinta que outros interessados existem nas economias europeias e com elas surgirão outros mercados, tão fortes como os dela e capazes de produzir novas sinergias tão enérgicas como as dela. Dir-me-ão: mas isto já não é Europa; mas será sinceramente o futuro mais soberano de alguns países da Europa, como Portugal.
Por isso, é com agrado que vejo as exportações a subirem porque isso me diz que há mais mercados para lá dos mercados europeus. Como um desígnio nacional, teremos que estar nos mundos que demos ao mundo.




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