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São Bento, abade e padroeiro da Europa (2)

No texto anterior, publicado com este título, fiz referência à perseguição de que a Igreja está a ser vítima, quer na pessoa do Santo Padre, quer na pessoa dos cristãos. É raro o dia em que não tenhamos notícias de cristãos torturados e mortos em atentados, por ódio de fundamentalistas de outras religiões ou seitas.

Maria Fernanda Barroca
21 Jul 2012

Esta situação, cujas consequências observamos todos os dias, em países do Terceiro Mundo, deve levar-nos a sentir a urgência de recristianizar todo o mundo, começando por esta parcela, talvez pequena, em que se desenvolve a nossa vida – a Europa. Cada um de nós deve perguntar-se de verdade: que posso fazer – na minha cidade, no meu lugar de trabalho, na minha escola ou na minha Universidade, nessa associação social ou desportiva a que pertenço, etc. – para que Jesus Cristo reine efetivamente nas almas e nas atividades? Pensemos diante de Deus, peçamos conselho, rezemos e lancemo-nos com santa agressividade, com valentia espiritual, à conquista desse ambiente para Deus.
A tarefa de recristianização da Europa não pode ser encarada como missão exclusiva dos que exercem uma influência política ou pública considerável. Pelo contrário, é tarefa de todos, uma vez que, infelizmente, alguns governantes europeus estão a dar um péssimo exemplo.
Voltamos a evangelizar de novo a Europa e o nosso mundo quando vivemos como Deus quer: quando os pais e as mães de família – começando pela sua conduta, pelo modo de conviverem com os vizinhos e com as pessoas que os ajudam no serviço doméstico… – educam os filhos no desprendimento das coisas pessoais, no sentido do dever, na austeridade de vida, no espírito de sacrifício em prol dos mais idosos e dos mais necessitados, as coisas mudam. O que é preciso é arregaçar as mangas.
A recristianização não está só confiada aos sacerdotes e religiosos/as, mas a todos os leigos que devem recordar, sem cansaço e sem oportunismo, toda a mensagem de Cristo. Estão na linha da frente os que trabalham em colégios, sobretudo de inspiração cristã, objectivo para os quais foram fundados – colaborar com os pais na formação dos seus alunos no espírito cristão. Igual responsabilidade cabe aos profissionais que, embora com prejuízo económico, se negam a práticas imorais: comissões injustas, aproveitamento desleal de informações, tráfico de influências, intervenções médicas que contradizem a Lei de Deus, sobretudo no campo da sexualidade, mensagens publicitárias que ajudam a sustentar emissoras ou publicações não só claramente anticristãs, mas pornográficas.
Muitos ficam paralisados perante a exiguidade do bem, face à avalanche do mal, mas existe um antigo provérbio que diz: “Vale mais acender um fósforo do que maldizer a escuridão”. Além de que não é próprio de um filho de Deus queixar-se sistematicamente do mal, ser pessimista e negativo. Se nos decidirmos a levar a cabo o que está ao alcance da nossa mão, mudaríamos novamente o mundo. Assim fizeram os primeiros cristãos, que eram numericamente poucos, mas tinham uma fé viva – aquela Fé que Bento XVI quer intensificar com a proclamação do Ano da Fé, que se inaugura a 11 de outubro deste ano.
É um grande erro não fazer nada por pensar que talvez se possa fazer pouco. Lembro-me logo das duas rãs que caíram num barril de leite. Uma delas, deitou as patas à cabeça e morreu afogada; a outra, bateu tanto com as patas que a dado momento sentiu uma coisa sólida – firmou as patas e saltou fora. Com tanto bater as patas tinha feito manteiga!
Por outro lado, contamos com o auxílio da Virgem e dos Santos Anjos da Guarda para levarmos adiante os nossos propósitos de bem-fazer, e contamos também com a fortaleza que nos confere a ajuda da Comunhão dos Santos, que se estende mesmo aos que estão longe.
São, pois, muitas as razões para sermos otimistas, com um otimismo sobrenatural que mergulha as suas raízes na fé, que se alimenta da esperança e a que o amor concede asas. Temos de impregnar de sentido cristão todos os ambientes da sociedade.
Para isso, aproveitaremos todas as situações, mesmo as viagens por motivos de descanso ou de trabalho, e a emigração, levando-nos a outras regiões onde Cristo não tenha sido anunciado. Testemunhemos corajosamente a fé.
Recomendamos a São Bento, onomástico do nosso Papa, esta tarefa de recristianização da sociedade e peçamos-lhe que saibamos proclamar com a nossa vida e a nossa palavra “a perene juventude da Igreja”. Peçamos-lhe sobretudo essa santidade pessoal que está na base de todo o apostolado, e acerca da qual São Josemaria Escrivá, nos diz: “Cheguei à conclusão de que o apostolado, seja ele de que género for, consiste numa superabundância da vida interior” (Amigos de Deus, n.º 239).




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