Fotografia:
Família, riqueza da sociedade

O pensamento hoje dominante encara aquilo a que se chama a “multiplicação das formas de família” como algo de inevitável e como sinal de progresso. Da parte dos poderes públicos, não se espera algum juízo a esse respeito ou algum favorecimento de uma ou outras dessas formas.

Pedro Vaz Patto
21 Jul 2012

Essa pluralização seria expressão da criatividade de indivíduos emancipados de vínculos pré-existentes. Nela se incluem opções pela paternidade e maternidade fora de uma relação de casal. Nela se incluem convivências propositadamente temporárias, sempre sujeitas à possibilidade de outras experiências mais satisfatórias na perspetiva da realização individual. Nela se incluem uniões de pessoas do mesmo sexo.
Mas será tal evolução benéfica na perspetiva do bem comum? Será que todas essas supostas formas de família desempenham igualmente a mesma função social? A esta questão pretende dar resposta um aprofundado estudo (cujas conclusões constam do livro La famiglia, risorsa della società, Il Mulino, 2012), coordenado pelo sociólogo da família Pierpaolo Donati, da Universidade de Bolonha, que serviu de base a várias das comunicação apresentadas no congresso integrado no Encontro Mundial das Famílias que recentemente decorreu em Milão. Baseia-se noutros estudos norte-americanos e na investigação empírica da sociedade italiana.
Das conclusões desse estudo (que não é um manifesto doutrinário, e tem suporte em dados empíricos rigorosos), impõe-se salientar as principais.
A referida “pluralização de formas familiares” traz consigo novas carências, que se traduzem em pobreza relacional, sendo as relações humanas, em primeiro lugar as familiares, mais decisivas do que os recursos materiais para o bem-estar das pessoas e para a coesão social.   
A estabilidade das relações familiares é um bem precioso, decisivo particularmente para a boa socialização dos filhos. O casamento não é, pois, indiferente, e vários estudos confirmam os seus benefícios espirituais, físicos e económicos para o casal e para os filhos.
A estrutura da família é decisiva para a formação do capital humano e social primário que é essencial para a realização das pessoas e para a coesão da sociedade. A estrutura que mais garante esse capital humano e social é a da chamada “família normo-   constituída”, isto é, a que é formada pela união de um homem e uma mulher ligados por um compromisso definitivo e com filhos dessa união.
A família assim concebida sempre foi, e continuará a ser, origem e fonte da sociedade. É assim porque é nela que o agir criativo das pessoas pode responder melhor às exigências da doação como verdadeiro motor das relações humanas e sociais. Na família, a doação  é livre e espontânea. É a partir da família que a doação pode, depois, penetrar em todos os âmbitos da sociedade, gerando as relações de confiança, de reciprocidade e de cooperação necessárias para a vitalidade da sociedade civil e para a coesão social.
As políticas sociais só podem ser consideradas familiares quando tiverem como objetivo específico a constituição e consistência da família, e não apenas outros importantes objetivos, como o combate à pobreza ou a igualdade de oportunidades. As políticas familiares só o serão verdadeiramente se promoverem, não só os indivíduos, mas a família como tal, a sua estabilidade e a sua função social. O Estado não pode ignorar essa função e ser neutro a esse respeito (a respeito das várias “formas de família”).
Conclusões que merecem atenção e que revelam como a família não é uma relíquia do passado, mas uma riqueza que garante o futuro.




Notícias relacionadas


Scroll Up