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Outro Ponto de Vista

Depois de uns dias de descanso em terras lusitanas, algumas notas de reflexão. Muitas vezes, algumas boas ideias, na sua execução, transformam-se em ideias infelizes, como nos pareceu ser o caso do programa “novas oportunidades”.

Acácio de Brito
20 Jul 2012

Sendo óbvio que a defesa da valorização contínua deve ser aspecto sempre a defender, não nos parece, contudo, ra-zoável que se procure escamotear o essencial da aprendizagem. Não importa só e apenas a certificação formal de determinadas competências, mas sim, se a experiência é razão de equivalência.
Antes de tudo e a montante de qualquer programa de equivalências, devemos pugnar pela excelência do que se faz, devemos procurar fazer o melhor, sempre o melhor, em contínua melhoria. Esse deve ser o caminho, a busca do excelente.
O que devemos pretender é que no nosso mister consigamos ser bons profissionais, consigamos realizar as nossas aptidões e, sobretudo, da ação prática resulte valor acrescentado para o País, para todos nós.
O que o país deve procurar ter é bons profissionais em qualquer área de atividade, seja ela tratar de forma adequada a relva, costurar bem qualquer peça de vestuário, saber vender bem jornais, revistas e livros ou, se quisermos, também, ser capaz de ser um bom governante. O que se faz deve fazer-se bem, deve fazer-se melhor.
E isto porque não são os lugares que se desempenham que nos dão qualquer importância, mas, sim, porque qualquer trabalho é digno se for desempenhado com saber e profissionalismo.
A dignidade não pode estar, não está, na função desempenhada. Tem de encontrar-se, encontra-se, no humano que a realiza. Sempre!
Mas, o país que raia muitas vezes a parolice, que nos parece já institucionalizada, preocupa-se com a forma, com o lado pomposo do título, com a estatística, não com o Valor Humano.
Novas oportunidades e equivalências, sim! Mas não aquelas que só na aparência são oportunidades, porque o tempo dir-nos-á que, se atendermos só à forma e não ao conteúdo, tudo parece mudar, mas para que tudo possa continuar na mesma.
Concordando com o que Saragoça da Matta plasma no texto “o país dos doutores” (2012), pouco importa que alguém se diga licenciado seja no que for se nada sabe das matérias que tal formação implica. O que importa não é ser licenciado! É dominar as matérias que em tal licenciatura se lecionam.
Ora num país em que ser licenciado, mestre ou doutor é exibir o certificado e não dominar a ciência subjacente, obviamente que nenhuma competitividade ou competência se pode esperar ou exigir. Matta termina dizendo que o mal é sermos um país de doutores, quando o que importava era sermos um país de senhores.
Parece que nos recusamos a aprender com as experiências exigentes dos outros. Parece que gostamos do faz de conta.
É pena, porque assim, não vamos lá.




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