Fotografia:
Férias sem crise

Apenas os homens necessitam de férias. Os animais alimentam-se, defendem-se, caçam, dormem, respiram, veem, ouvem, fazem muitas coisas como os homens, mas férias, não. E por que não? O que passo a expor não passa de conjeturas sem qualquer suporte científico. Atrevo-me a partilhá-las porque estamos, ou vamos, de férias.

Isabel Vasco Costa
20 Jul 2012

Por ser pessoa, o homem tem a capacidade de observar e raciocinar sobre quanto vê ou experimenta, no corpo ou no espírito. Com base nessa cogitação, é convidado a tomar decisões difíceis ou a agir contrariando o que os sentimentos ou sentidos lhe pedem. Por exemplo, recusar ao filho uma semanada porque estragou deliberadamente um brinquedo do irmão e deverá comprar-lhe um novo, ou esperar um pouco antes de tomar uma bebida gelada porque está a transpirar. Para o homem, a vida é árdua, exige esforço, luta e superação das próprias limitações. É normal que se sinta cansado e necessite de férias. Isso não significa que passe de imediato a comportar-se como irracional e a deixar-se conduzir pelos instintos, sensações ou impulsos (raiva, euforia…). Daí, a necessidade de pensar para conseguir passar, em tempo de crise, umas férias sem crise.
A primeira de todas as soluções é o bom humor, a capacidade de levar os outros (e a si próprio) a rir-se, a esquecer dores e tristezas, a sentir-se cada dia melhor, como é de esperar que aconteça nas férias. Recordo-me bem, quando o meu sogro estava já muito doente, das visitas da minha cunhada. Ia sempre prevenida com uma mão cheia de anedotas para contar ao pai. A sua iniciativa fazia recordar aos presentes novas anedotas ou episódios divertidos. Todos ficavam mais bem dispostos e o doente distraído das suas dores.
Ao bom humor podemos acrescentar o aproveitamento do tempo para nos formarmos e formar os outros, particularmente os filhos e netos. Os jogos, por exemplo, sejam eles praticados ao ar livre ou dentro de casa, são propícios a este fim. Como se riem os mais novos quando apanham o pai a fazer batota ao jogar às cartas! Aprendem com esse exemplo que os jogos de cartas não são para levar a sério que apenas servem para se passar um serão divertido e barato em família.
Económicas devem ser também as idas à praia. Para se apanhar sol e tomar um refrescante banho de mar, não há necessidade de alugar toldos ou cadeiras, comprar gelados ou bolos e o refresco pode ser substituído por uma garrafa de água da torneira, aquela fornecida pela Epal (que me desculpem a propaganda). Mas não me emendo do erro e cá vai nova propaganda: para transportar este precioso líquido, podem usar uma garrafinha de água do Fastio (ou outra) reciclada. Talvez as marcas estrangeiras sejam mais “in”, mas deste modo rimo-nos “de fora cá dentro”.
As ajudas prestadas por empregadas, podem ser substituídas (com suplementos de risos e diversões) por todos os elementos da família. Experimentem pedir ao pai que monte a tábua de passar a ferro! Ou à mãe que lave o carro no jardim. Aconselhamos vivamente que convidem as crianças para esta tarefa num dia em que os adultos estão sem disposição de ir à praia.
Finalmente, deixo-vos, perdão, deixo-nos um trabalho para casa (casa de férias, bem entendido): elaborar uma lista de experiências de FÉRIAS SEM CRISE que sirva de inspiração à autora destas linhas. Servirá para usar na não crise das férias do próximo verão.




Notícias relacionadas


Scroll Up