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D. Januário Torgal Ferreira: um bispo mediático e polémico

Portugal, aos olhos de quem anda mais distraído, parece que vive única e exclusivamente à volta de polémicas. Falta saber se a culpa é de quem cria as polémicas ou da comunicação social que as divulga. A mais recente controvérsia, e como já todos perceberam, anda alimentada pelas bombásticas afirmações do sr. Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira.

José Carvalho
20 Jul 2012

Recuperemos algumas das suas palavras, proferidas a 16 de julho, na TVI 24:
«O problema é civilizacional, porque é ético. Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porque são equívocos, porque lutam pelos seus interesses, porque têm o seu gangue, porque têm o seu clube, porque pressionam a comunicação social [leia-se: o atual Governo], o que significa que os anteriores [leia-se: Governo de José Socrates], que foram tão atacados, eram uns anjos ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer».
Mas disse mais: «Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir».
Estas foram as declarações da polémica. Contudo, e por aquilo que temos visto, a polémica das respostas e contra-respostas vai continuar nos próximos dias.
D. Januário, pelo cargo que ocupa, deve ter noção da gravidade e do alcance das afirmações que fez. Mesmo sem querer, acabou por ser responsável pelo lançamento de uma autêntica bomba. E pela forma e termos como o fez dá a ideia de que sabe de factos de extrema gravidade. Portanto, deve concretizar o que sabe.
Na minha opinião, o Bispo não foi digno. Como católico, esperava mais bom senso da parte dum homem com a experiência do D. Januário. Não tenho nada a dizer sobre o que ele exprimiu, mas sim o modo como se expressou e os termos que usou. Não estou a julgá-lo, mas apenas a exigir que diga tudo quanto conhece sobre a corrupção a que se refere. Se o não fizer, deve ser chamado à responsabilidade pelas suas afirmações.
A liberdade é o mais alto dos valores e dela decorrem os restantes, nomeadamente a dignidade. Mas liberdade não é apenas a possibilidade de escolher. É assumir a responsabilidade pelas escolhas que fazemos.
Ou será que o prelado apenas pretende criar o ambiente populista e demagógico propício a algo mais grave para o nosso país?
Não me recordo que, nos deploráveis anos em que o PM José Sócrates (des)governou o país e os horizontes de esperança dos portugueses, tenha aberto a boca para uma recriminação pública. Porém, ei-lo que aparece agora, vermelho de indignação, a insultar e a acusar o atual Governo. Mas quando lhe perguntaram se um governo que tomou posse há pouco mais de um ano era responsável por tudo isto, não respondeu, somente disse que o governo de Passos era «corrupto», não dando um único exemplo
A insatisfação do D. Januário com regimes de «direita» é notória. Então podemos concluir que o que o prelado quer mesmo é o socialismo-libertário do Partido Socialista, o neocomunismo do Bloco de Esquerda ou o veterocomunismo do Partido Comunista Português. Ou tudo isso junto, ou um bocadinho de cada…
Parece-nos que D. Januário foi profundamente infeliz no modo e no conteúdo. Sugiro – e como católico o digo – que se reze pelo sr. D. Januário, para que tenha um pouco mais de cuidado com aquilo que diz na praça pública!
E julgo que a hierarquia da Igreja Católica, nos dias que correm, deveria ter antes uma voz mais ativa nos modelos sociais inovadores que nos querem impôr: aborto, pseudo-casamento gay, adoções de crianças pelos pseudo-casais gays, etc. Isso, sim, são matérias que ofendem a moral católica. Mas sobre isso, e com pena o digo, não ouço D. Januário…
«Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem»… diz a Sagrada Escritura.
E alguns, infelizmente, como o sr. D. Januário e outros tantos que se deram ao trabalho de lhe responder ou de o apoiar, perdem-se numa certa incontinência verbal atual, depois de estarem sob efeito de uma miopia, surdez e mudez medonhas nos 6 últimos anos.
Talvez valha a pena rezar e fazer mais… E falar menos…
Vale a pena pensar nisto!




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