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Os “empréstimos”…

A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), em recente sessão da Assembleia Geral, aprovou uma resolução proibitiva do empréstimo de futebolistas a equipas que militam no mesmo escalão competitivo. Garantir a “verdade desportiva” em jogos entre equipas “fornecedoras” e “fornecidas” de jogadores emprestados, e evitar que só alguns clubes “privilegados” tenham esse benefício – eis dois dos objetivos de tal medida, nas palavras de alguns dirigentes defensores desta proibição.

Pedro Álvares de Arruda
19 Jul 2012

Ainda que a eficácia da resolução esteja dependente de ato ratificativo da Federação Portuguesa de Futebol, afigura-se-me como muito perniciosa para o futebol português a adoção de tal medida – especialmente no que respeita à chamada “margem de progressão” dos futebolistas nacionais mais jovens.
Na verdade, como é “público e notório”, os atletas que terminam a sua atividade futebolística nos Juniores A raramente conseguem um lugar nas equipas principais dos clubes onde se formaram – particularmente quando provêm dos clubes considerados “grandes” (FC Porto, Benfica, Sporting, Sp. Braga…). Estas equipas, pelas suas legítimas pretensões à conquista do título de campeão nacional ou à conquista de um lugar nas competições europeias, veem-se “obrigadas” a possuir um plantel de elevado e reconhecido talento, e, sobretudo, de relevante e prolongada experiência.
Ora, os jovens futebolistas saídos das camadas de formação ainda não atingiram graus de capacidade e competência que lhes permitam integrar as equipas principais dos “grandes” – a não ser, como é óbvio, em casos raríssimos de foras-de-série (exceções que só vêm confirmar a regra…).
O “expediente” utilizado por esses clubes para a consolidação do talento dos jovens atletas que se apresentam como “promissores” tem sido o de emprestarem esses futebolistas a equipas de “segundo plano”, mas do mesmo escalão competitivo – onde tais jovens têm maior visibilidade mediática e crítica, e ações de treino mais adequadas ao nível de exigência que os “grandes” preconizam para os seus conjuntos.
Com a proibição dos empréstimos a clubes do mesmo escalão, passam esses jovens a ser arredados, por empréstimo, para os escalões inferiores do nosso futebol, onde as possibilidades de “progressão” na carreira são muito menores, o mesmo acontecendo com a sua valorização enquanto “ativos” de um mercado que é cada vez mais competitivo. Isto… quando não são, atingido o limite da fase de formação, por ser simplesmente dispensados pelos seus clubes, penando por equipas “regionais” de baixa expressividade competitiva – acabando muitos deles, alguns com elevados dotes futebolísticos (ainda que apenas em potência e, por isso, a necessitarem do adequado “desenvolvimento”…) por se perderem nas teias do desconhecimento absoluto.
Se a LPFP pretende “moralizar” o empréstimo de futebolistas, não é seguindo este caminho que atingirá em pleno tal objetivo – pois, assim agindo, atirará pela janela o bebé com a água do banho!
E a Federação Portuguesa de Futebol, a quem compete dar a última palavra neste âmbito, não pode fechar os olhos à realidade do futebol português (e às necessidades dos nossos jovens futebolistas). Mais que não seja, para garantir a qualidade (e o futuro) da Seleção Nacional!




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