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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (17)

Saber escutar implica a capacidade de comparar o que se ouve com aquilo que já se sabe e, depois, selecionar os pontos julgados pertinentes. Analisando o que o nosso interlocutor nos vai transmitindo, nós temos a obrigação de filtrar o que é relevante e esquecer o que é inútil para o nosso enriquecimento mental.

Artur Gonçalves Fernandes
19 Jul 2012

Devemos, inclusivamente, tentar prever onde o nosso interlocutor pretende chegar. Um esforço de previsão serve também para aguçar a nossa atenção. Assim, podemos até ficar gratos a quem consegue agitar o nosso pensamento, mas o importante consistirá em remoer e destilar os assuntos novos. O resultado pode não ser uma farinha muito fina, contudo ela foi moída e armazenada no nosso próprio moinho mental.
Infelizmente, este é um aspeto em que residem a fraqueza e a vaidade de muitas pessoas da sociedade atual. Parecem autênticos papagaios ou caixas de ressonância, passando o tempo a fazer eco do que os outros disseram, transmitindo-o a papel químico. Não fazem nenhum esforço para pensar por si próprios. A capacidade de refinar tudo aquilo que se ouve, lê ou presencia desenvolve-se pelo trabalho intelectual de cada um de nós, de um modo contínuo, adequado e sensato.
Uma pessoa relativamente inteligente é um ser humano que pode tratar, com sucesso razoá-vel, de todas as situações correntes que lhe surgirem pela frente. Os conhecimentos adquiridos e devidamente selecionados são o mais precioso dos tesouros que se devem guardar a sete chaves, desenvolvendo-os e aplicando-os em proveito próprio e da comunidade em que nos inserimos. O conhecimento faz parte das grandes riquezas humanas: a leitura busca, a meditação encontra, a oração pede, a contemplação saboreia e o conhecimento satisfaz.
A família e a escola são os dois grandes espaços de aprendizagem onde o aluno pode adquirir excelentes conhecimentos, se os principais agentes do ensino lho proporcionarem e o prepararem para pensar por si mesmo, nos momentos adequados. Dizia John Lubbock: “Ler, escrever, contar e saber gramática não constitui educação, tal como garfo, faca e colher não fazem um jantar”. A educação deve ter sempre em vista dois grandes objetivos: ensinar conhecimentos que proporcionem boas condições de ganhar a vida e, sobretudo, ensinar a viver.
Um dos grandes erros de alguma educação moderna é a tentativa de querer apagar ou riscar dos conteúdos programados para a aprendizagem escolar os muitos e excelentes conhecimentos dos nossos antepassados, bem como a cultura que nos legaram e que tanto suor e lágrimas lhe custaram. O mesmo se verifica com muitas notícias e temas veiculados pela comunicação, sobretudo pelo modo como o fazem. Tudo isto é feito em nome de uma ideologia enviesada e profundamente distorcida em relação aos objetivos fundamentais do próprio homem. Esponjar esse passado é um crime de lesa majestade. O homem apenas saberá mais do que os seus antepassados se começar por analisar o que eles nos transmitiram. Por isso, uma sociedade só será verdadeiramente progressiva se conservar as suas tradições.
Quando se abandonam antigas opiniões e regras sábias de vida não se pensa na falta que elas podem fazer. Nesse caso, não há bússola para nos guiar, nem se verá com clareza o porto onde ancorar.
A cultura dos antepassados deve ser um alicerce sólido para a aquisição do verdadeiro saber e da educação contemporânea que se proclama de integral, mas que se vem amputando do seu elemento mais importante, ou seja, da solidez humana que implica também os aspetos ético-religiosos.
Ninguém se deve julgar o detentor de toda a verdade e de todo o conhecimento. Por mais que saibamos, não passamos de uns míseros ignorantes. Lee Du Bridge afirmou: “O cientista fora do seu campo é tão estúpido como outra pessoa qualquer”. Todos somos ignorantes, embora em campos diversos. A educação tem vindo a degenerar assustadora e aflitivamente.




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