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CEJ é mais uma oportunidade perdida

Transposta a primeira metade temporal do programa de Braga 2012 – Capital Europeia da Juventude, fica-nos o sabor pouco agradável de falhanço, a vergonha de não ter correspondido às expetativas que foram depositadas na cidade mais jovem da Europa.

Alberto Monteiro
18 Jul 2012

É pena que tenha sido assim. É pena que Braga e Portugal não tivessem sido capazes de mostrar ao mundo a capacidade organizativa e de realização dos portugueses. De nada nos serviu, no caso da CEJ, o nosso país dispor da geração mais qualificada, mais bem preparada, como orgulhosamente não nos cansamos de apregoar aos sete ventos. Provavelmente, a administração da Fundação Bracara Augusta, que é a responsável pelos “festejos”, criou uma verdadeira ilha vedada aos tais jovens altamente qualificados e daí os fracos resultados. O funcionamento da organização em circuito fechado, com jotinhas encartados, fidelizados e obedientes a uma determinada fação, pode explicar em grande parte o que tem sucedido.
Desta forma ou de outra, por incapacidade, incompetência ou por mero laxismo, o resultado é muito preocupante: as atividades são pouco apelativas, dificilmente se projetam para lá das fronteiras do concelho, em suma, não conseguem atrair o número de visitantes que nos foi prometido. E, no entanto, as coisas não tinham que acontecer assim.
Aproveitar eventos que outros realizam há anos na cidade e cavalgá-los, colocando-
-lhes a marca da Capital Europeia, não é bonito e corresponde a um certo vazio de ideias, a uma tentativa de aproveitamento do trabalho alheio, a uma inqualificável chico-espertice. Mas o pior é que mesmo assim, com estas artimanhas, ou apesar delas, as adjudicações efetuadas já superam largamente o milhão de euros.
Não quero alinhar na crítica fácil, cada dia mais generalizada, é certo, que tudo isto acontece por ter sido dada tamanha responsabilidade a meia dúzia de “boys” sem experiência de trabalho e de vida, que não transportam qualquer valor acrescentado para os tachos que vão ocupando. Não quero ir por aí, mas a realidade mostra–nos que, em cada dia que passa, se acentua mais a ideia de que a Capital Europeia da Juventude foi uma oportunidade perdida para a cidade. Esta, sim, é uma realidade muito difícil de negar.
Há dias, o Sr. Armindo Oliveira terminava um artigo nestas colunas perguntando se a cidade vai perder mais esta oportunidade para se impor no quadro de referências culturais do país. Num exercício de cidadania, atrevo-me a avançar com a minha opinião sobre o assunto: tudo indica que sim, que, mais uma vez, a cidade vai perder a oportunidade, tal é o amadorismo, tal o desleixo e o vazio de ideias que domina na CEJ. Mas, se calhar, a culpa até nem é toda dos “boys” como justamente sugere o autor, quando fala da agenda que os responsáveis políticos adotaram para a nossa cidade.
O Eng.º Mesquita Machado, toda a gente sabe, nunca foi homem de cultura e, aparentemente, tem horror aos agentes culturais. Mas o jovem Arq. Hugo Pires, a quem foi entregue a missão de elaborar e coordenar o programa pluridisciplinar da CEJ para apresentar serviço e, quiçá, ganhar peso político para liderar a candidatura do PS às próximas eleições autárquicas, mostrou não estar à altura do desafio. E foi assim que Braga perdeu mais uma oportunidade de ouro para se afirmar e projetar interna e externamente.




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