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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (16)

Aprender a viver de maneira a podermos resolver qualquer problema que nos surja é, como dissemos, outra das principais leis da vida. A primeira reflexão séria a termos em vista, quando se aprende qualquer assunto, é verificar qual será a sua utilidade no presente e, nomeadamente, no futuro.

Artur Gonçalves Fernandes
12 Jul 2012

Daqui poderemos inferir as devidas ilações que nos darão os frutos que desejamos. Sabemos que a recompensa pelo que aprendemos e aplicamos corretamente é o incentivo para tudo o mais que se vai aprendendo. De facto, pode-se viver bem e ser feliz, mesmo que não se saiba muito.
Aliás, o verdadeiro sábio é aquele que apresenta os seus conhecimentos com firmeza e segurança, pondo-os ao serviço da comunidade, mas com uma atitude sóbria e discreta, sem se ufanar, como, infelizmente, se observa numa grande parte dos “nossos doutores”, quando se expõem na praça pública. Que grande exemplo nos deixou o portentoso filósofo grego Sócrates, expresso na célebre máxima: “Só sei que nada sei”. Os conhecimentos essenciais são apenas aqueles que dão valor e significado à vida e ao progresso da humanidade, colocados e utilizados adequadamente sem desvios desnaturais e, muitas vezes, desumanos. Quantos recursos financeiros são esbanjados na utilização das enormes descobertas científicas e tecnológicas que, em vez de contribuir para benefício do homem, o vão explorando e destruindo pela ganância ou vaidade de alguns, como acontece com os armamentos, não só tradicionais, como também com os mais sofisticados, que martirizam e dizimam milhares de vidas.
Um dos melhores processos para adquirir bons conhecimentos e os colocar ao serviço da vida consiste em não ter interesse em aprender coisas desnecessárias ou inúteis, pois a quantidade e a qualidade do que aprendemos têm influência, direta, ou indiretamente, na nossa vida. Quantas pessoas têm conhecimentos para os quais não encontram utilização prática significativa e, muito menos, digna. E quantos homens “ditos sábios” terão a oportunidade de se arrepender ou de sentir remorsos pelo mau uso dos seus conhecimentos durante a sua atividade pessoal e social!
Todos nós precisamos de herdar e desenvolver um caráter que nos faça aplicar bem os conhecimentos adquiridos. John Lubbock
escreveu: “Educação é o desenvolvimento harmonioso de todas as nossas faculdades. Começa na infância, prossegue na escola, mas não termina aí. Continua pela vida fora, queiramos ou não. O problema está em saber se o que aprendemos durante a vida foi escolhido com cuidado ou apanhado ao acaso”. É vulgar dizer-se que se aprende até morrer ou que o mestre nunca dá a última lição. Aliás, o verdadeiro mestre é a própria vida, sendo o mundo a única sala de aula onde podemos aprender o que tão claramente precisamos.
Pensar com lógica e saber escutar devem ser normas de viver. Quem não sabe escutar não pode aprender. Temos de aprender a pensar e a escutar. Recorde-se que nós apenas assimilamos 30% do que ouvimos e, às vezes, parece que estamos com muita atenção, mas, na realidade, o nosso pensamento anda bem longe. Fazemos batota contra nós próprios, perdendo uma oportunidade de aprender e evoluir mais e melhor. Na verdade, escutar exige concentração e esforço, mas, uma grande parte dos que aprendem não quer ter trabalho e dedicação nos estudos.
Aprendamos a ouvir como deve ser, para peneirar, separar e, por fim, saber selecionar as coisas que possam ter utilidade prática para a nossa vida autêntica, numa atitude social justa e humana. Procuremos ouvir ideias e trabalhemos para descobrir os princípios, os conceitos e os assuntos fundamentais. Deixemos que os factos encaixem nos lugares que lhes competem.




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