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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (15)

Pelo que se vem expondo, é lógico, neste momento, que nos questionemos sobre a problemática filosófica e social de saber para que serve a vida. E a resposta simples é a de que a vida, por inferência da sua própria essência, está destinada a crescer e a evoluir. E aí é que está a verdadeira alegria e felicidade dos seres vivos.

Artur Gonçalves Fernandes
5 Jul 2012

Quando deixam de crescer, já entram, de certo modo, na via descendente que os levará à morte. No que concerne ao homem, essa evolução deve ser integral, ou seja, física, mental, social, cultural e espiritual. Todas as ciências humanas o atestam: a literatura, a arte, a filosofia, a teologia e qualquer tipo de religião tradicional. O homem deve pôr a render todas as potencialidades nele existentes de modo a atingir uma evolução adequada e propiciadora de uma realização bem conseguida.
Foi neste contexto que Henry Beecher utilizou, com propriedade, a metáfora da evolução do carvalho desde a semente até atingir a vida adulta: “Uma bolota não é um carvalho assim que brota da terra; tem de passar longos verões e rigorosos Invernos; tem de suportar tudo o que o frio, a neve e os ventos lhe possam fazer antes de ser um carvalho de grande porte. Aqueles elementos são professores ríspidos, mas são os mestres fortes que fazem alunos fortes. Por isso, um homem não é ainda um homem quando é gerado, apenas começou a viver. A maturidade tem de vir dos anos”. Na verdade, a casa edificada sobre as rochas resiste às intempéries, enquanto aquela que foi construída sobre areias movediças acaba por ruir, como Jesus afirmou nas suas pregações.
Hoje, o objetivo principal da evolução do homem é substituir (ou, melhor ainda, evitar) os aspetos negativos (tais como, o doentio, o medroso, o tímido, o ineficaz e o insuficiente) que caraterizavam o homem antigo, pelo vigor, pela coragem, pelo perfecionismo e pelo dinamismo da homem novo, de espírito criador e inovador, que a sociedade moderna e contemporânea pretende consolidar. De facto, o homem moderno, devido às mais recentes descobertas, apresenta-se como o protótipo e o mais atualizado no aproveitamento das suas capacidades naturais. Só é pena que, por causa da ânsia frenética, gananciosa e, muitas vezes, desumana, seja o próprio homem a desvirtuar esse grande objetivo. Quantos arautos da justiça, da solidariedade, da ética, da igualdade social, da democracia e da defesa dos direitos humanos cometem as maiores atrocidades precisamente em nome desses mesmos princípios! Quanta incoerência campeia por esse mundo fora!
O homem nasce com as capacidades necessárias para crescer e evoluir em total harmonia com a sua natureza e, portanto, em perfeita convivência com todos os seus irmãos. E porque se desvia deste rumo, surgem as explorações, as injustiças e toda a espécie de desigualdades sociais que alastram na sociedade atual. O homem deve capacitar-se de que as leis da natureza que o puseram neste mundo estão essencialmente preocupadas com a sua correta evolução. O seu sucesso será proporcional com esse processo evolutivo que se vai tornando mais sólido e mais seguro de si próprio. Nós vivemos para aprender e, por isso, devemos aprender a viver.
O homem, como um todo, ou está a progredir na direcção certa, ou a sua vida não tem verdadeiro significado. A evolução exige o reconhecimento, pelo menos tácito, das leis que governam a natureza humana. Às vezes, ouve-se dizer: “Ele está mudado”, quando alguém alterou radicalmente o seu comportamento ou a orientação da sua vida. Ora esta afirmação pode ser um grande elogio, se essa mudança se operou para o bom caminho. Os frutos verdes só são úteis para a alimentação se se mantiverem na árvore até ao estado de maturação. O homem deve rendibilizar as capacidades que integram a sua essência. Infelizmente, estamos a deixar de ensinar (e de aprender) os princípios e as verdades fundamentais humanas que continuam a ser imutáveis e perenes, quer queiramos, quer não.




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