Fotografia:
Teoria da Verdade Geral

Big Bang, evolução, pré-história, civilizações misteriosas, metódicas e empreendedoras, início do calendário gregoriano, uma era medieval, reacender das bases culturais com o iluminismo, colonização e Novo Mundo, um conflito à escala global, direitos do homem, uma segunda Grande Guerra, despertar da consciência e cooperação internacional, e hoje, cerca de nove mil milhões de pessoas vivas enquanto escrevo cinco linhas num documento de Word, para finalmente chegarmos ao jovem século, herdeiro da responsabilidade social, o sucessor da cadeira dos tempos que instalam o paradigma de que todos somos iguais.

Alexandre Pontes
1 Jul 2012

A data de nascimento, a cor da pele, olhos e cabelo, fisionomia, número de dígitos da conta bancária, local e património são não mais que dados estatísticos, jamais uma condicionante para ascender a um nível de direitos superiores a outrem. É, na minha ótica, a Era dos Direitos. Hoje somos todos iguais, ninguém se pode considerar superior a mim, eu não me posso considerar superior a ninguém. Pelo menos do ponto de vista social e naquilo a que o conceito internacional diz respeito.
Seria no entanto inconsciente, senão ingénuo, considerar que não existem pessoas potencialmente mais relevantes que outras. Mas o paradigma que funda a distinção não reside na sua classe social, nas suas posses, nem em qualquer outra forma de aquisição de estatuto. Aliás, a dita distinção é apenas simbólica e não representa um patamar superior no usufruto de direitos humanos, sociais e económicos. Apenas introduz, não uma classe superna, mas uma nova geração de indivíduos cujo critério que deles faz potencialmente mais relevante que a pessoa comum é, na realidade, o privilégio de que goza por assim ser considerado. Repito, este em nada deve ser considerado superior de alguma forma aos seus semelhantes, mas deve ser respeitado e admirado pelas qualidades que o tornam distinto: Princípio do Esforço Intelectual. O individuo que se cultive de forma a tornar-se intelectualmente rico e culturalmente sagaz deve e pode ser considerado, em relação aos seus semelhantes, não como um ser superior digno de fruição de direitos superiores, mas como um exemplo de pessoa. O seu único privilégio é o direito e dever de saber partilhar a sua intelectualidade com todos pois, e nunca é demais insistir, este em nada lhes é superno e os outros libam os seus direitos, e devem bem fazê-lo, ao reivindicarem o direito fundamental de ser educados e cultivados. Direito e Dever Único: o intelectual partilhará o seu conhecimento, sabedoria e experiência com aqueles que desejar, embora a ninguém deva negar esse fundamental direito, desde que seja respeitado, se seguir uma conduta humilde e própria.
Obviamente, tudo isto é extremamente, para não dizer totalmente, subjetivo. Há diferentes conceções sobre quem é, como se é e se é um intelectual. Qualquer pessoa está no direito de se achar um intelectual e por isso é necessário criar um paradigma que regule e estabeleça, não firmemente, mas de forma geral, quais são os intelectuais. O objetivo final de uma teoria de intelectuais seria celebrar um mundo em que todas as instituições zelassem de tal forma pela educação que qualquer pessoa pudesse ser intelectual. A circulação de ideias e opiniões seria o meio de fazer chegar a uma conclusão sobre o universo a verdade geral. Desta forma, todas as questões sobre o Universo estariam respondidas e compreendê-lo-íamos. Os crentes e os que se desviam da religião contemplariam a harmonização das suas diferenças que se encontra na verdade geral, comum e única. Os Estados compreenderiam como lidar com o seu povo e como lidar com outros Estados de forma, não a ser eficaz, mas a ser absolutamente correto. Assim que a civilização se torne num mundo inteiramente intelectual, a paz dominará o planeta, e a nossa tecnologia e sabedoria serão de tal ordem que estaremos preparados para colonizar o espaço.
O problema? Somos seres extremamente emotivos e a nossa razão cobre-se de misteriosas nuvens. Resta-nos esperar que alguns génios agraciem a terra com as suas mentes e descobertas. O sol consumir-se-á antes de se atingir a Civilização da Razão – um oxímoro.




Notícias relacionadas


Scroll Up