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Braga, Capital Europeia do Património

Braga, vetusta capital da província romana da Galécia e sede da mais importante província eclesiástica de Portugal, sobreviveu aos anais da sua veteranice e afirma-se, em 2012, como Capital Europeia da Juventude. Aquilo que poderia aparecer como um horizonte de festivais e grandes concertos, que atraíssem milhares de pessoas e um destacado enfoque mediático, foi substituído por um certame em que os bracarenses, mais do que espectadores, são atores, pondo ao serviço da comunidade os seus talentos e criatividade.

Rui Ferreira
1 Jul 2012

Braga é daquelas cidades que não se podem descrever. Ama-se e pronto! Os bracarenses amam genuinamente a sua cidade e têm sido capazes de se tornar cada vez mais adeptos do seu passado e da sua identidade. Talvez por vivermos imersos numa sociedade pós-moderna, que frequentes vezes se sente privada de referenciais e fundamentos, a necessidade de preservar o património cultural e intangível tornou-se uma prioridade. Esta sensibilização crescente das novas gerações tem em Braga, ultimamente, um nome concreto: JovemCoop.
Foi através desta associação de jovens que surgiu o convite, que muito me honra, de percorrer o barroco bracarense e os seus intérpretes, bem como realizar atividades como os dois trilhos medievais no segundo semestre deste ano, a sessão relativa à Idade Moderna do curso de história da cidade de Braga ou a redescoberta de um monumento que ficou gravado na memória da cidade, como o fizemos no passado dia 16 de junho, com o convento dos Remédios, a maior e mais antiga edificação conventual urbana, demolido em 1911 após um polémico processo conduzido pela autarquia de então.
É um orgulho perceber que, hoje, mais bracarenses percebem a importância de André Soares no contexto da arquitetura barroca ou sabem dizer quem foi o arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles, e não esquecem o seu brasão de sete castelos, tão omnipresente na fisionomia brácara, principalmente no santuário do Bom Jesus do Monte. Hoje, muitos mais bracarenses sabem que o mosteiro de Tibães é uma das mais belas páginas do barroco português, tal como afirmou, emocionado, o investigador Robert Smith, quando descobriu os tesouros que a Cidade Augusta guardava no seu seio, quase sem saber.
A Braga CEJ, em conjunto com a JovemCoop, têm sabido tirar proveito das sinergias comuns, numa conjugação de esforços que tem conduzido muitos bracarenses à descoberta e à valorização do seu património. Sendo suspeito para efetuar esta análise, estou em crer que o contributo da JovemCoop para a Braga CEJ, nomeadamente no âmbito da história e património, tornou-se na parceria mais bem sucedida deste evento.
Se existisse um certame europeu denominado Capital Europeia do Património, Braga seria seguramente a escolhida para a sua primeira edição. Não, porventura, pelo zelo dos poderes públicos na preservação ou valorização do património, nem pelo facto de responderem às solicitações e questionamentos dos cidadãos em vez de os rebater, muito menos pelo facto de termos sabido respeitar sempre o legado do nosso passado. Braga seria Capital Europeia do Património devido à evidência do zelo apaixonado dos bracarenses por aquilo que é genuinamente seu, pela sua vontade inexorável de conhecer melhor a sua identidade e pela sua atitude férrea e persistente na defesa do seu património cultural.
Para que isto seja uma realidade, é necessário fazer de Braga Capital Europeia da Juventude todos os dias, todos os meses e todos os anos, dando azo a um dinamismo que não necessita de orçamentos milionários ou de multidões mediáticas, mas apenas da contribuição de cada bracarense. Tenho apreciado sobremaneira esta profícua colaboração: a Braga CEJ abre as portas, trata dos aspetos logísticos primordiais, a JovemCoop elabora e executa, e os bracarenses aderem com entusiasmo. Este modelo de colaboração não pode cingir-se a 2012.
A edição da Capital Europeia da Juventude que eu aguardo é a que vai acontecer em 2013. Aí iremos perceber os frutos do trabalho realizado, o poder de iniciativa das nossas associações, o acréscimo em dinamismo e criatividade das novas gerações e, quiçá, um pelouro da cultura e da juventude mais dinâmico e com capacidade crescente para mobilizar os bracarenses em torno de iniciativas comuns.




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