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A importância do sono

Agora que as férias estão a chegar, sobretudo para os mais novos, vale a pena falar um pouco sobre este processo maravilhoso de restauro do organismo que é o sono. Há dias, perguntando uma pessoa se ia tudo bem no seu emprego, respondeu-me que o ambiente de trabalho andava bastante ansioso e que se notava que as pessoas estão apreensivas, tensas, crispadas, agitadas, preocupadas com o seu emprego e com a incerteza do futuro, respondem mal umas às outras, andam sempre a correr, até parece que já nem há tempo para dormir.

M. Ribeiro Fernandes
1 Jul 2012

Fiquei a pensar nas consequências que este estado psicológico pode trazer e como é preocupante que se possa refletir em perturbações do sono. O sono sempre é preciso porque faz parte do funcionamento do nosso organismo, mas em tempo de crise, com um ambiente assim ansioso, ainda é mais necessário. Não só para os adultos, mas também para as crianças, que são indiretamente contagiadas por esse ambiente.

1. A vertigem de vida que temos, em que se anda sempre a 100 à hora para encurtar o tempo e aproveitar o mais possível o número de “horas úteis” de trabalho, leva algumas pessoas a pensar que se pode treinar o corpo para dormir menos. É uma perigosa ilusão que pode sair cara, porque o sono tem uma importância vital no nosso corpo e na nossa mente. Mais do que uma perigosa ilusão, é um contra-senso pensar em reduzir o número de horas de sono, mantendo o mesmo desempenho. Dormir é mais do que uma necessidade de descanso físico e psicológico, porque é durante o sono que se dão vários processos metabólicos que, se forem alterados, podem afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e longo prazo.
Por exemplo, a ciência comprovou aquilo que a observação empírica das pessoas já tinha detetado: quem dorme menos (e também quem dorme mal) tem menor vigor físico, envelhece mais precocemente, debilita o seu sistema imunitário, ficando mais propenso a contrair infeções, mais propenso a obesidade, a hipertensão, a diabetes.

2. Há factos já comprovados, que vale a pena lembrar, para se reforçar a ideia da importância do sono no nosso desempenho físico e mental. Num estudo realizado pela Universidade de Stanford, EUA, indivíduos que não dormiam há 19 horas foram submetidos a testes de atenção e constatou-se que eles cometeram mais erros do que pessoas com 0,8 g de álcool no sangue. Só para ver o significado disto, lembre-se que, atual-
mente, o limite máximo de álcool no sangue permitido por lei para conduzir um veículo automóvel é, em Portugal, de 0,5 g. Quer dizer que muitos acidentes podem ter acontecido por efeito de insónia.
TAC do cérebro de jovens privados de sono mostram uma redução do metabolismo do cerebelo, responsável pelo equilíbrio e pela coordenação motora. Essa redução do metabolismo do cerebelo pode ainda levar a dificuldades na capacidade de acumular conhecimentos, a alterações de humor, a comprometer a criatividade, a atenção, a memória. E pode também refletir-se na segurança da condução automóvel.

3. Para além disso, a privação de sono pode comprometer seriamente a saúde, porque é durante o sono que se produzem algumas hormonas que desempenham um papel vital no funcionamento do organismo. Tomemos o caso das crianças, que tantas vezes se vê pais a não se preocuparem com a sua necessidade de sono nem com os horários adequados para irem dormir, o que é uma violência para elas. O pico da produção da hormona do crescimento (GH) ocorre durante a primeira fase do sono profundo, que se dá nas fases 3 e 4 do sono. Entre outras funções, o papel da hormona do crescimento é também ajudar a manter o tónus muscular, evitar a acumulação de gordura, melhorar o desempenho físico, combater a osteoporose. Ao reduzir-se o tempo de sono, reduz-se consequentemente o tempo de sono profundo e, por efeito, a produção da hormona do crescimento.

4. Em relação às pessoas com tendência para a obesidade, é útil lembrar que, ao reduzirem o tempo de sono e, consequentemente o sono profundo, diminuem também a produção da leptina, que é produzida na fase do sono profundo. E, ao reduzirem a produção da leptina, o corpo sente necessidade de ingerir maiores quantidades de carbo-hidratos.
Durma bem e durma o tempo necessário.




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