Fotografia:
Em sentido inverso

O conceito e termo escola deriva do latim e refere-se ao estabelecimento onde se ministra um género de instrução. Este mesmo termo também permite referenciar o método de ensino, ao estilo peculiar de um professor, a uma doutrina, aos princípios de ensino ou a um sistema que cria seguidores. No desporto, por exemplo, escola é definida pelo conjunto de discípulos, seguidores ou imitadores de um determinado clube, treinador, nos princípios que preconiza e aplica.

Carlos Dias
29 Jun 2012

Em função disto a função do Estado é garantir a melhor educação para o seu povo, de forma a permitir que as réplicas das boas práticas permitam uma melhor compreensão do presente e acima de tudo um melhor futuro. Compete ao Estado supervisionar e dirigir as suas decisões para que o sistema educativo ofereça um serviço de qualidade aos seus alunos, não o sistema mais barato, mas antes o melhor, com máxima rentabilização dos recursos e proporcionando as melhores condições para uma educação na plenitude das faculdades que são exigidas no futuro. Compreendendo a necessidade de rentabilizar recursos, de diminuir gorduras económicas na despesa pública, de fazer face às exigências do cumprimento das metas do défice, já não consigo compreender, facilmente, que algumas das medidas adotadas para a organização das escolas sejam de redução na qualidade de ensino. Nenhuma medida por mais onerosa que seja (dentro da razoabilidade e sensatez) pode contrariar um caminho… a qualidade de intervenção pedagógica nas escolas. Essa deverá ser a prioridade!
As notícias difundidas e as diretrizes da nova matriz curricular deixam-me apreensivo, porque o caminho está invertido! As intenções e as diretrizes correm em sentido contrário com os interesses e necessidades do sistema educativo. Senão, vejamos: Os tempos destinados à Educação Física estão na eventualidade de serem reduzidos no currículo dos alunos, contrariando todas e as mais diversas recomendações internacionais (nomeadamente a Organização Mundial de Saúde) que apelam a maior dinamismo das populações, fomentando a prática da atividade física regular, de forma a reduzir o sedentarismo e a obesidade da população em idade escolar; As notas da disciplina de Educação Física, de acordo com algumas considerações proferidas por pessoas com responsabilidade ministerial, está prestes a deixar de contar para o ingresso no ensino superior, menosprezando a sua pertinência e utilidade no currículo dos alunos e, de uma forma evidente e clara, prejudicar sensivelmente 99% dos alunos, pois baixa drasticamente a média de ingresso.
A escola não é só o que sai nos exames! A vida e as virtudes da escola da atualidade não se coadunam só com matérias, números e letras, constrói-se com um dia-a-dia dinâmico, saudável e palpitante, onde a interligação se faz com os interesses e reais necessidades dos seus alunos. Não deverá ser a “Troika” a indicar o caminho depauperado para uma educação mais pobre, triste e sedentária.
O sedentarismo constitui um dos maiores flagelos de saúde pública, em todo o mundo e particularmente no nosso País. A população juvenil portuguesa, genericamente, não possui alternativas à prática de atividade física fora da escola. A população juvenil portuguesa revela a segunda maior taxa de obesidade e sobrepeso da Europa. Portanto, com este cenário, deverão ser tomadas medidas de reforço da atividade física regular, através do incremento da Educação Física, do Desporto Escolar e do desporto na escola. Um conceito que devemos interiorizar é que 1 euro aplicado no desporto poupa 4 no hospital.
O sentido de responsabilidade do Estado deve ser o de garantir os meios para uma escola viva, ativa, generosa, criativa e instruída. Para bem de todos.
 carlos.dias03@gmail.com




Notícias relacionadas


Scroll Up