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A final e o Euro… vistos do sofá

Estava a ver se passava o Euro sem escrever acerca do mesmo, pois já tanto foi dito e escrito que caio no risco de ser repetitivo. Tentando evitá-lo, vou começar pelo fim, pelos penáltis que nos eliminaram. Antes da marcação dos penáltis coloquei-me na “pele” do selecionador e pensei: Ponho o CR7 a marcar, ou não? E se ele falha? Atendendo ao seu passado em grandes decisões, final da Champions (Chelsea-UM) e semi-final (Real-Bayern), e ao facto do guarda-redes adversário ser seu colega de clube, a resposta só podia ser uma: Não.

Carlos Mangas
29 Jun 2012

Se, ao invés, e dando razão a um cronista brasileiro que diz que penalti é uma coisa tão importante, que devia ser o presidente do clube a batê-lo, aí, a resposta só podia ser uma: Sim, CR7 deve marcar atendendo ao que ele representa na seleção como capitão, e sendo, como é, uma das primeiras figuras mundiais da modalidade.
Quando vi Moutinho a partir para marcar o 1.º, assumi que CR7 só marcaria se na 1.ª série de cinco não houvesse vencedor e aceitei a decisão de Paulo Bento, pelos motivos que enumerei anteriormente. No entanto, já li que CR7 seria o 5.º elemento da seleção a marcar. Assim sendo, tenho de estar em desacordo com Paulo Bento, pois o capitão a marcar teria de ser o 1.º. Nas grandes batalhas, o General dá o exemplo, nas diferentes decisões de jogos por penáltis, a escolha dos jogadores deve ser por ordem decrescente de “capacidade”, pois podemos arriscar-nos, como aconteceu neste jogo, a que o nosso “míssil” não parta porque entretanto… já morremos. Há quem sustente que a decisão de deixar CR7 para o fim, foi tomada a pedido do CR7 para, em caso de vitória, ser mais fácil a eleição como número 1 do Mundo. Sinceramente, não quero, e custa-me a acreditar. Paulo Bento já demonstrou a sua “casmurrice” em inúmeras situações (veja-se no caso dos jogadores excluídos e das substituições copy/paste), pelo que não o estou a “ver” a facilitar numa situação individual em detrimento do coletivo.
Quanto à legitimidade da vitória espanhola é semelhante à que nós teríamos se os postes nos têm sido favoráveis. Não nos podemos queixar do árbitro e entendo até que lhe devemos um pedido público de desculpas (mas isso prá nossa mentalidade, já é pedir muito) pois se nos quisesse prejudicar não teria assinalado faltas ao jeito de CR7 e colocado a barreira à distância exigida. Como todos bem sabemos, nestas coisas, os árbitros têm a faca e…a fita métrica… nos pés.
No que se refere à nossa participação na competição, só temos que sentir orgulho nos nossos representantes, pois a priori, e estando no grupo mais difícil, não seria de estranhar não passar aos quartos de final, pelo que chegar às meias tem de ser visto como um sucesso coletivo de uma seleção que tem uma ótima liderança, (alguns) excelentes jogadores, mas a quem faltam dois ou três de 1.ª linha para determinadas posições (PL, n.º10 e LD).
No entanto, no melhor pano cai a nódoa e entendo que os gastos da nossa seleção no Euro foram um atentado à situação económica do país e dos portugueses. Equiparo-os aos nossos políticos que pedem sacrifícios, cortam subsídios de Natal e de Férias mas eles continuam a recebê-los. Não se questiona a importância que tem para o País, para a nossa economia e até para a autoestima dos portugueses, a participação positiva das nossas seleções e atletas em eventos desta envergadura (Europeus, Mundiais e/ou JO), mas tem de haver o bom senso no que às despesas respeita. A nossa seleção gastou de diárias um valor superior em oito vezes à nossa vizinha e carrasca Espanha e eu entendo que estes gastos supérfluos poderiam e deveriam ser investidos no desenvolvimento do nosso futebol de formação.
Termino com um desejo: venham depressa as eliminatórias para o Mundial do Brasil, pois, temos seleção.




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