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Grandes não, enormes

A cidade já geme de calor, suspira já saudosa das farras do S. João e anseia pelas férias. Enquanto a emoção do Euro nos vai ocupando o espírito, é sempre bom lembrar que está em preparação a nova época do SC Braga e, se bem que pouco saibamos do que se passa nos bastidores, alguns indicadores já nos podem dar uma visão, ainda que fugaz, do que será a nova época.

Manuel Cardoso
28 Jun 2012

Haas (ex-Leiria), Éder (ex-Académica), Ismaily (ex-Olhanense), Florent (ex-Leixões) e Manoel (ex-Penafiel). Nomes estranhos? Não, são os atletas já contratados pelo SC Braga. São nomes muito modestos, dirão alguns. Assim, o Braga nunca será um “grande”, dizem outros, mais habituados às manchetes dos jornais desportivos.
Muita gente vai dizendo que o nosso clube precisa de dar o tal salto para se afirmar em definitivo como um “grande”. Pessoalmente, não quero que o Braga alguma vez venha a merecer tal epíteto. Em primeiro lugar, porque essa designação há muito que tem um significado algo desagradável: o “grande” não é o que joga melhor, nem sempre é o que ganha mais títulos; é o que controla a arbitragem e manipula a comunicação social. Esse “grande” eu não quero que o SC Braga seja.
É por isso que fico satisfeito com a política de contratações que o nosso clube continua a praticar: atletas sem grande historial, sem nome sonante mas com vontade de se tornarem guerreiros, de lutar pela camisola, em suma, atletas com ambição e humildade.
Na minha opinião, o crescimento do nosso clube tem de fazer-se com bases mais seguras do que o investimento desmedido e quase suicida que vemos noutros clubes. O crescimento do nosso clube tem, a meu ver, que se basear em dois alicerces fundamentais: a ligação ao meio social em que está inserido e o ecletismo do clube.
O primeiro destes alicerces já tem sido abordado muitas vezes nestes textos; não vou, por isso, repetir o que penso sobre o assunto. Já quanto ao segundo item, poucas vezes me tenho referido a ele, mas gostava de deixar hoje bem clara a importância que atribuo às modalidades como forma de engrandecimento do clube e, também, como forte elemento de ligação à comunidade.
É sempre um espetáculo bonito de se ver quando os atletas das diferentes modalidades visitam o estádio AXA em dia de jogo; aqueles atletas são a força viva do clube e levam o nome do SC Braga a famílias que, de outro modo, continuariam a venerar os tais “grandes” herdados das gerações anteriores.
Trabalho numa escola; sei, por conhecimento próprio, o entusiasmo com que os jovens se dedicam à prática desportiva. E é nítido nos últimos anos como o grande número de jovens a praticar desporto no SC Braga tem contribuído para o crescimento do clube. Seria, pois, importantíssimo que o nosso clube investisse um pouco mais nas modalidades. Pessoalmente penso que uma aposta mais séria, mais arrojada no atletismo podia render ao SC Braga um grande acréscimo de adeptos e associados, para além dos atletas. Ultimamente, temos visto com alguma mágoa os nossos melhores atletas serem transferidos para clubes que apostam mais neste desporto. O passado do SC Braga e, principalmente, o seu futuro justificariam, na minha opinião, um investimento bem mais sério no Atletismo. Um investimento, “em grande”, diria eu.




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