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Um olhar em redor

Proponho-me efetuar hoje uma breve incursão pelo mundo da bola o que, como muito bem sabem os meus eventuais leitores, não é a primeira vez que faço, mas agora tendo presente o atual Euro 2012, onde nos estreámos frente aos alemães. Resultado: mais uma “vitória moral”, não obstante o tão propalado bom jogo e empenho do nosso selecionado.

Joaquim Serafim Rodrigues
27 Jun 2012

Seguiram-se os jogos contra a Dinamarca, a Holanda e a República Checa e, desta feita, os nossos “craques”, principescamente pagos, a maior parte deles, conseguiram fazer o mais fácil quando, diante de si tinham apenas o guarda-redes contrário e a baliza aberta, ou seja, meter a bola lá dentro e não chutá-la para a bancada. Futebol é bola na rede, essencialmente. Não se concretizando esse momento único, culminante do jogo, que é o golo, de nada servem depois desculpas de mau pagador!
No intuito de amenizar, tanto quanto possível, aspetos negativos e críticas, analisemos então, com alguma ironia, já se vê, o lado ridículo das habituais conferências de imprensa protagonizadas por alguns treinadores, embora eu saiba que as considerações que se seguem assumirão provavelmente o tom simpático de uma carga de cavalaria, a qual, de resto, já não se usa…
É mais ou menos assim: “Treinamos bem, todos se aplicaram a fundo, o próximo jogo vai ser muito difícil, como são todos, aliás, mas insistimos durante o “apronto” em várias soluções, conhecemos bem o nosso adversário e, além disso, fizemos treino específico, livres diretos e até indiretos, cantos, grandes penalidades sobretudo, pois nunca se sabe quando é que um lance destes poderá decidir o jogo e, embora pareça fácil concretizar uma falta deste tipo, não é bem assim, sempre há o guarda-redes na baliza, sem ele, claro, não se falhavam tantas oportunidades destas. E agora, meus senhores, estou ao vosso inteiro dispor para me colocarem as questões que entenderem”.
– Mister, para o jornal “Fora de Jogo”, se bem entendi, o senhor…
– Calma, amigos, uma pergunta de cada vez, se fazem favor!
– Pois, para o jornal “Fora de Jogo”, e se bem entendi, o mister é contrário à presença do guarda-redes na baliza por ocasião da marcação de uma grande penalidade, mesmo sem ele se poder adiantar antes da bola partir?
– Olhe, não devia era ser permitida a sua presença aqui. Aliás, você é useiro e vezeiro em perguntas dessas, capciosas, desestabilizadoras. Mas essa folha onde escreve, o “Anti-Jogo”, como é que diz?, ah, o “Fora de Jogo”, não importa, é a mesma coisa, esse seu jornal não conseguirá nunca destruir este grupo de trabalho extremamente coe-so, unido e concentrado no seu principal objetivo, que é a conquista do campeonato, com-
preende? O quê? Já no ano passado tínhamos dito isto mesmo e não passámos do terceiro lugar? Lá está você a provocar! Mas, respondendo à sua pergunta, o que o guarda-redes não pode fazer é adiantar-se, como você disse. E o resto do corpo? E os braços? Acaso desconhece que até os pode mover em forma de ventoinha (pudera, melhor seria amarrá-lo a um dos postes) atrapalhando assim o marcador do castigo máximo, num momento desses, de um dramatismo sem igual?
– Bem sei, mister, mas perante um buraco daqueles, quero dizer, perante uma baliza daquele tamanho…
– E você a dar-lhe, isso é outra provocação, ou quê? E o guarda-
-redes lá no meio, por vezes uma autêntica bisarma com mais de um metro e noventa? Isso não conta? Mas, afinal, de que lado está você? Está connosco ou a favor dos nossos adversários? De que lado está?
– Para ser franco, mister, estou do lado do guarda-redes, que não tem culpa nenhuma da inépcia dos seus craques, que em média apenas têm concretizado um desses castigos máximos em cada três que marcam…
– Logo vi. Pretendem é sabotar os nossos planos. Depois vão queixar-se de que não são bem recebidos aqui, de que não lhes facilitamos a missão. É que não é jornalista quem quer. Certo? E tem mais: não admito afrontas. Por isso e por hoje, podem ir saindo. Esta conferência terminou!




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