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Escola e desideologização

Sempre, ao longo dos tempos, tem sido a Escola o alvo privilegiado de ideó-logos e políticos. E isto porque é na Escola que se inculcam valores, se moldam carateres, se impõem ideologias, endoutrinando. Quem se não lembra do maio de 1968 que, numa revoada de contestação juvenil (É proibido proibir), abalando as estruturas escolares, uma nova era de critérios, atitudes e valores impôs?

Dinis Salgado
27 Jun 2012

Porém, nesta nossa pequena casa lusitana, onde reinava a Nova Ordem do Estado Novo, os ideólogos do regime resistindo foram ao tsunami da mudança e só após o 25 de Abril de 1974, acontecem as profundas transformações sociais que levam à Escola os efeitos de uma Nova Era. Bem presentes ainda temos as intensas convulsões e transformações por que passou a Escola, em 1975, durante o insólito PREC (Processo Revolucionário em Curso), protagonizado por forças políticas de esquerda totalitária e extrema-esquerda, sedentas de controlo ideológico e político e apostadas na implantação de uma ditadura do proletariado, socialista e popular.
A partir daqui, nunca mais a Escola conseguiu a desejada estabilidade, operacionalidade, funcionalidade e paz, indispensáveis ao sucesso educativo: professores desvalorizados, desautorizados e desmotivados – joguetes fáceis às orientações e imposições de sucessivos ministérios da Educação, incompetentes e centralizadores (não é por acaso que este ministério é o que mais ministros contabiliza desde o 25 de Abril); alunos desorientados, indisciplinados e dispensados do trabalho e esforço que deve acompanhar todo o processo de ensino/aprendizagem; pais e encarregados de educação irresponsáveis e insubordinados a exigirem da Escola facilitismos, permissividade e a promoção de uma quimérica igualdade de sucesso escolar (porque não há alunos maus, mau é o sistema escolar).
E porque esta é a ideologia do regime, sucedem-se as políticas revolucionárias, livres e populares com o recurso à pedagogia do rebuçado e da balda: o castigo traumatiza, a reprovação é antipedagógica, o exame é fascista, o aluno só aprende o que quer, o professor não impõe, não educa, não avalia, apenas orienta propõe e facilita, os programas escolares são meras sugestões sem obrigatoriedade de cumprimento nacional e sofrem frequentes ajustamentos, voltas e reviravoltas, sem uma linha de coerência e rumo.
Aqui, e assim, começa e se prolonga o colapso, a agonia da instituição escolar por força da Ideologia. O trabalho, a disciplina, a ordem, o esforço, o aprender a fazer e a ser, deixam de fazer parte do dia a dia da Escola, negando o código de valores, critérios e atitudes por que sempre se deve pautar todo o processo educativo.
Ora, penso que vai sendo tempo (que tanto tempo já perdido foi) de governantes e políticos repensarem a Escola que temos e, em conjunto, tomarem as decisões que apontem novos rumos, novas alvoradas para uma nova Escola. Que tempo é de desideologização pela consolidação democrática alcançada que permite aproximações, cedências e consensos.
Doutro modo, continuamos a praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito!




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