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A geração mais preparada

A pergunta que anda de boca em boca, como a crise, é se as universidades devem fechar por uns tempos, pelo menos para os cursos que não têm nenhuma saída profissional, quer no imediato, quer a mais longo prazo. Fechar uma universidade, nem pensar… Mas então está a nação a gastar tanto dinheiro para licenciar jovens, as famílias a gastar o que têm e, muitas das vezes, o que não têm para que os filhos tirem um curso superior, estão os estudantes a gastar esforço, tempo e a sonhar com uma vida melhor, para quê?pergunta-se.

Paulo Fafe
25 Jun 2012

No fim, todas a expetativas foram balões que se esvaziaram. Estarem os professores a olhar para os alunos universitários e a pensar que estão a criar ficções, que nunca passarão disso, é, no mínimo,  frustrante. Parece, assim, que nos estamos a enganar uns aos outros. E isso cheira mal como água podre.
Fechar cursos é atirar para o desemprego muitos professores? Continuo a pensar que não. Que os professores podem fazer livros escolares, grupos de formação, seminários, conferências em sede de atualização permanente de professores doutros graus de ensino, cada um nas suas respetivas especialidades. Outros entrarão para um quadro de investigação pura e dura. Não há nenhuma área que não precise de investigação. Não serão todos? Não sei responder a isso, mas os envolvidos saberão dizê-lo, com certeza. Se isto é mau? Parece-me que teremos de, um dia, chegar a esta situação.
O que é mau, para não dizer péssimo, é estarmos a licenciar pessoas para o desemprego. Esta verdade é tão clara que não há contraditório que lhe sirva de capa. Observando a festa das queimas das fitas que se fizeram por todo o país, fico com a sensação de que são ingénuos que caíram numa publicidade enganosa. Eu sei que eles (professores, pais e alunos) sabem que aquilo que os espera é a falta de emprego; no horizonte mais próximo, existe apenas a esperança que se põe, todos os dias, como o sol no horizonte longínquo. Mas isto é frustrar uma geração e é enganar uma nação. O país não comporta tanta gente licenciada. Está a dar-lhe uma formação superior que só a saída para o estrangeiro comporta. Muitos não gostam de ouvir dizer isto, mas esta é, infelizmente, a única saída para os nossos licenciados.
Seria bom, ótimo mesmo, se Portugal os pudesse absorver nas suas estruturas, isto é, dar emprego compatível e a todos satisfazer as esperanças. Mas não pode, falemos claro e alto. Portugal não precisa de tantos licenciados em muitos dos cursos universitários. Não queremos mencionar nenhum, embora pudéssemos apontar uma boa dúzia deles. Não se deve estar a trabalhar para o desengano. Portugal terá de exportar a geração mais preparada da sua história social porque, cá dentro, ou está condenada a exercer papel de indiferenciado ou a engrossar a fila dos que procuram o primeiro emprego, anos a fio, sem ver o fim deste calvário e sem curar a chaga desta aposta educativa nacional.
Há aqui algum erro de análise? Há exploração ideológica? Há miserabilismo ou baixar de braços? Julgo que, do ponto de vista realista, não existe distorção de pensamento ou de lógica. Agora, que se pode sempre dizer, “pobre do país que não dá de comer aos seus filhos”, é verdade; mas mais pobre e até mais triste é ter de dizer “pobre do país que deixa morrer os seus filhos à fome”.




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