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Queremos o Ouro nas Olimpíadas da Obesidade

Apesar de sermos um dos piores países europeus no que respeita à prática regular de exercício físico, de quatro em quatro anos aspiramos a (pelo menos) uma medalha de ouro nas Olimpíadas. Este ano, com a impossibilidade de Naide Gomes (por motivo de lesão) arrecadar uma em Londres, o Governo parece apostado em conseguir o ouro noutras Olimpíadas.

Carlos Mangas
22 Jun 2012

Nas matrizes curriculares apresentadas pelo MEC, prevê-se uma redução da carga horária da disciplina de Educação Física (EF) e do Desporto Escolar (DE). Também se assume como definitivo (via imprensa) que a nota de EF deixe de contar para a média de acesso ao Ensino Superior.
Num qualquer País civilizado, quando são tomadas medidas deste teor, elas são devidamente ponderadas (causas e efeitos) e fundamentadas. Por cá, ficamos a saber que, no que se refere à possível redução dos tempos letivos semanais, os argumentos científicos, pedagógicos, técnicos e culturais utilizados são: porque sim. No que diz respeito à nota contar ou não para a média de acesso ao ensino superior, é o presidente da CONFAP que substitui o Governo e diz que tal se deve a “haver alunos de excelência que, apesar do seu empenho, não conseguem obter boas classificações a EF”.
Assim sendo, venho por este meio informar os nossos governantes de que:
– A EF e o DE promovem a formação integral do aluno através de ações corporais competentes com aprendizagens significativas numa perspetiva de educação para a saúde e de promoção da autonomia para o seu desenvolvimento.
– Assume importância relevante na integração e reabilitação de alunos portadores de deficiência e com Necessidades Educativas Especiais (NEE).
– Há estudos que comprovam que a prática regular de exercício físico promove o aumento do sucesso escolar e a diminuição de excesso de peso e obesidade.
– O Ministro da Saúde está preocupado com isso ao assumir que os jovens devem praticar desporto, e manter essa prática continuada no final da escolaridade.
– Grande parte dos nossos alunos só tem hipótese de praticar desporto na escola, onde adquirem os primeiros cuidados individuais de higiene pessoal após prática desportiva, as primeiras “letras” de alfabetização motora e desportiva e onde acontece a descoberta da apetência para determinadas áreas que depois de devidamente identificadas, e incentivados pelos professores, os levam à prática federada em clubes, podendo até, se tiverem potencial, num continuado trabalho meritório e de exigência, serem atletas de alto rendimento em representação do País.
No que se refere à nota não contar para a média de acesso, terão os nossos governantes acompanhados do Sr. Albino, feito bem o trabalho de casa e verificado se a nota prejudica ou beneficia a maioria dos alunos? Em que estudos se basearam? Fizeram as médias a nível nacional com e sem EF? Contabilizaram o número de beneficiados e os prejudicados? Ou será que alguém importante a nível das cúpulas tem filhos em dificuldades porque tudo o que implique suor e algum esforço físico, é coisa menor, e como tal, não vale a pena investir? Já pensaram nas consequências e no (des)investimento por parte da esmagadora maioria dos alunos a que uma medida desta natureza pode levar? Os colegas com quem tenho trocado impressões a este respeito confirmam aquilo que todos sabemos: A nota de EF beneficia a média da esmagadora maioria de alunos no acesso ao ensino superior.
Estas decisões, são pois, medidas meramente economicistas e contributos de excelência para conquistarmos finalmente o ouro (enquanto as jazidas alentejanas não produzem o suficiente) no campeonato da obesidade, onde, apesar de já estarmos no pódio, ainda não atingimos o lugar mais alto.




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