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Um Euro colorido

Por cá tem sido um verdadeiro festival de trocadilhos com o Euro da Polónia e Ucrânia e o Euro da senhora Merkl (talvez haja uma linha que os separe – ufa, mais um trocadilho estafado!). Por lá, por terras de Leste, tem sido uma bela competição de futebol ofensivo e espetacular.

Manuel Cardoso
21 Jun 2012

Até ao momento em que escrevo, no final da fase de grupos, nenhum dos jogos do Euro 2012 terminou com o resultado a zeros. Vinte e quatro jogos com golos, se não é record deve andar lá perto! Mas o melhor não é isso; é o excelente futebol que se tem praticado, mesmo por parte de algumas seleções que não foram apuradas. Mesmo assim, ao contrário do que o indecifrável Platini afirma, penso que houve justiça nas seleções apuradas para os quartos de final: Holanda, Dinamarca, Suécia, Rússia, etc. apresentaram momentos de futebol espetacular mas não foram constantes ao longo dos três jogos. Podemos dizer que, regra geral, foram apuradas as equipas mais regulares nas três jornadas.
Embora com tristes e lamentáveis exceções, tenho de salientar o magnífico espetáculo por parte do público; bancadas coloridas, estádios cheios com música, cor e alegria a rodos. Neste aspeto, embora já eliminados, os irlandeses são, a meu ver, os grandes vencedores deste campeonato. Que magnífico exemplo de fair-play e de alegria! Os irlandeses mostraram o que devia ser o futebol: saber ganhar e saber perder, num espírito de sã convivência.
Também os árbitros parecem apostados em colaborar com o sucesso deste Euro. Com algumas exceções que confirmam a regra, obviamente: a Grécia e, principalmente, a Croácia (no jogo frente à Espanha) e a Ucrânia, têm algumas razões de queixa mas em geral as arbitragens têm sido bastante positivas. A exceção mais gritante terá sido aquele lance em que 5-árbitros-5 não viram a bola ultrapassar a linha de baliza da Inglaterra, incluindo aquele que está ali só para isso, o chamado árbitro de baliza.
Enfim, tudo somado, este campeonato tem sido uma verdadeira festa do futebol.
E melhor festa será se hoje ao fim da tarde ganharmos à República Checa. Como se entende do que tenho aqui escrito, não sou propriamente um adepto do futebol frio e pouco corajoso de Paulo Bento. No entanto, está a resultar. Não sei se por mérito do treinador ou porque, de facto, temos excelentes jogadores. Mas o futebol é uma caixinha de surpresas; a propósito da crónica da semana passada, em que apontei o dedo a algumas opções do selecionador, um amigo fazia-me esta observação: que ele deveria ter a coragem de colocar C. Ronaldo no banco, após a exibição fraquinha frente à Dinamarca onde, para além de falhar vários golos, deixou Fábio Coentrão frequentemente “à nora” por não recuar no terreno quando o adversário atacava. Concordei com esta observação. Um jogo no banco talvez fizesse acordar o craque. No entanto, o craque jogou contra a Holanda e transfigurou-se; ou melhor, revelou o verdadeiro génio que é.
Perante isto, muitos afirmam que CR7 calou os críticos. Não posso concordar com esta perspetiva; CR7 não calou ninguém: apenas mostrou, pelo contraste, que o C. Ronaldo dos jogos anteriores não era o mesmo; apenas comprovou, pelo contraste, que nos jogos anteriores tinha atuado muito abaixo do que lhe é normal. Vistas as coisas nesta perspetiva podemos afirmar então, com segurança, que CR7 confirmou o que os críticos disseram e escreveram.




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