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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (13)

O instinto de conservação, que é a primeira lei da natureza, implica o direito a uma sobrevivência digna e humana. Deste modo, ela inclui jus a uma saúde física e mental e à satisfação das necessidades básicas para uma subsistência consentânea com a natureza do homem.

Artur Gonçalves Fernandes
21 Jun 2012

Desde os primórdios da humanidade que o homem vem lutando para realizar este imperativo físico e moral, procurando, através do seu espírito engenhoso, obter mais e melhores condições de vida. No entanto, a ganância, o egoísmo, a soberba e a inveja de muitos homens deturpou a essência desta lei, dando origem a tantas guerras, massacres e genocídios que tornaram sombrias as esperanças da sobrevivência da raça humana.
Vivemos num mundo de frustração, de atitudes mórbidas e de desespero letal, cujo maior problema é justamente o da sobrevivência que, infelizmente, está tão arredado de uma grande parte de pessoas que definham penosamente até um tipo de morte verdadeiramente desumana. A esta numerosa mole humana não lhe foi sequer reconhecida a justeza a uma simples subsistência, cuja compreensão normal devia ser a esperança de a poder usufruir, uma vez que constitui um direito básico da natureza humana.
Por maiores que sejam as descobertas do mundo e dos seus benefícios, nada disto adiantará se o homem não conhecer nem respeitar a verdadeira essência das leis da natureza humana. De facto, as grandes descobertas feitas ao longo dos tempos, para além dos enormes benefícios e proveitos para a humanidade, também acarretaram para inúmeros indivíduos apenas malefícios e graves sacrifícios, como a escravatura e todas as espécies desumanas de exploração. Quantas pessoas morreram e morrem sem conhecer e poder desfrutar de um nível mínimo de sobrevivência justa e digna.
E se pensarmos em termos ecológicos, verificamos quão fortes e enormes são os atentados que se praticam em nome do progresso e da evolução das condições da vida humana. A poluição e outros agressões ambientais atingiram níveis assustadores, cujos efeitos nefastos afetarão gerações e gerações. O consumo desmesurado e os desperdícios devoradores de tantos bens que podiam e deviam ser aproveitados em favor dos que deles mais precisam não podem continuar indefinidamente, pois estão em jogo milhões de seres humanos que têm o direito a viver, pelo menos, em condições razoá-
veis de subsistência. E, pelo caminho que a situação económica leva, pela injusta e desumana distribuição da riqueza global que se observa e pelo modo como a ganância voraz de muitos indiví-
duos responsáveis se vai alastrando sem um mínimo de escrúpulos, o futuro da referida franja humana vai agravar-se e aumentar assustadoramente, de modo que o definhamento das pessoas e a sua prematura morte à fome tomará proporções incomensuráveis. A própria denominada classe média está a desaparecer irremediável e irreversivelmente com cortes nos rendimentos e com uma carga desmesurada de impostos que a vão sufocando com grande celeridade. As suas folhas de vencimentos estão cheias de buracos que se assemelham cada vez mais a uma rede de pesca de malha grossa. A isto tudo acresce ainda, entre muitas outras dificuldades, a carestia nos medicamentos e os obstáculos nos acessos aos cuidados de saúde por carência de meios financeiros.
Perderam-se os grandes valores éticos e os princípios cívicos básicos e universais. As pessoas de hoje, embora mais cultas que outrora, não estão preparadas emocional e racionalmente para enfrentar problemas inesperados. Esqueceram aquele sábio e antigo aforismo europeu que chama a atenção para as dificuldades: “Se conseguires engolir um sapo todas as manhãs antes do pequeno almoço, estás preparado para os problemas do dia”. Todos devemos compreender que temos de enfrentar espinhos que surgem frequentemente no nosso caminho. Por isso, cada um de nós deve cultivar as qualidades espirituais específicas da natureza humana que nos dão a força necessária para vencer todos os escolhos do dia a dia.




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