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Cerca de 250 mil portugueses sofrem de psoríase

Estamos em pleno Verão! E é importante saber que o Sol induz melhoria das lesões e mesmo a regressão da doença, por ação imunomoduladora, pelo que faz bem ir à praia, sem esquecer os horários adequados e restantes medidas de proteção solar.

Paulo Ferreira
20 Jun 2012

A psoríase é doença crónica da pele, não contagiosa e autoimune que pode surgir em qualquer idade. Atualmente, não é considerada uma doença “só da pele” porque atinge o organismo como um todo, com inflamação generalizada, envolvendo os equilíbrios metabólicos e oxidativos do organismo e repercutindo-se em vários órgãos e aparelhos, nomeadamente a pele (o maior órgão humano), articulações, sistema cardiovascular, fígado, entre outros. É nesta perspetiva, de doença sistémica, que se fala em comorbilidades associadas, ou seja, diabetes, obesidade, aumento dos níveis sanguíneos de colesterol e triglicerídeos, hipertensão arterial, angina de peito e enfarte agudo do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, fígado gordo, artrite, depressão e determinados tipos de tumores. O atingimento das unhas (picotado, espessamento, alteração da tonalidade, descolamento) é, normalmente, preditor de doença articular-psoríase artropática. Daqui resulta que a estratégia terapêutica tenha que ser definida de acordo com a gravidade da doença, o impacto na qualidade de vida e as especificidades de cada indivíduo. As lesões no couro cabeludo, face, mãos, unhas, genitais, por exemplo, apesar de não ocuparem áreas muito extensas da superfície corporal, são muito “estigmatizantes” e fonte de angústia na maioria dos doentes, condicionando sobremaneira a imagem, a autoestima e o bem-
-estar social, relacional e, nalguns casos, profissional, dos doentes.

A psoríase em Portugal
Em Portugal, estima-se que 2 a 3% da população esteja afetada, isto é, cerca de 200 a 300 mil pessoas. Apesar de tão frequente, é ainda pouco conhecida do público em geral que, frequentemente. lhe atribui conotações negativas e a confunde com doenças contagiosas.
Por estas razões, apelamos constantemente ao bom senso das pessoas e à busca de informação para travar o desconhecimento da doença. “Sentimos muito mas não contagiamos. Contagioso é o preconceito”, é o lema da PSOPortugal, Associação Portuguesa da Psoríase e é nesta perspetiva que aconselhamos os doentes a terem uma atitude pró-ativa, falando sobre a sua doença e mostrando autoconfiança.

A psoríase tem tratamento?
Não existe cura (ainda) para esta doença crónica, mas dispomos de grande variedade de medicamentos que ajudam a controlar a doença. A começar pelo Sol que, em mais de 90% dos casos, ajuda a reduzir a inflamação e os sinais e sintomas da doença. Dispomos de tratamentos tópicos (aplicação direta na pele), fototerapia (raios ultravioletas A e B), terapêuticas sistémicas (via oral ou injetáveis) e, mais recentemente, dos chamados “biológicos”, cuja prescrição obedece a regras e critérios bem definidos, nomeadamente para as formas mais graves, persistentes e incapacitantes da doença, quando as terapêuticas convencionais são ineficazes, insuficientes ou contraindicadas.
É fundamental informar a população da importância deste novo conceito da doença, pois isto vem alterar a abordagem terapêutica, necessariamente multi-
-disciplinar e com especial interesse também a nível das medidas preventivas correlacionadas: combater a obesidade e os erros de dieta, incentivar o exercício físico diário, apelar para os perigos do abstencionismo, do al-
coolismo e do tabagismo.

Travar a progressão da psoríase
Aconselha-se um estilo de vida saudável, procurando evitar o stress, alternando períodos de repouso e lazer, dormir bem e usar roupa confortável. Devem ser evitadas as gorduras saturadas e as bebidas alcoólicas, devendo as dietas ser enriquecidas e reforçadas com óleos de peixe, vitaminas e antioxidantes (frutas, vegetais).
Sugerimos atitude determinada e interventiva aquando da Consulta de Dermatologia. Os doentes devem questionar sobre o regime dietético, o tipo de vestuário adequado, a frequência de piscinas/
/ginásios, o tipo de produtos cosméticos recomendados, eventual tratamento hormonal (de compensação), visando um estilo de vida “saudável” e procurando aumentar a autoestima e combater a insegurança e o preconceito. Nesta perspetiva, saliento a importância de ações de formação levadas a cabo pela PSOPortugal em escolas secundárias, pois em cerca de 20 por cento dos casos a doença aparece antes dos 16 anos de idade!

Informe-se com o seu dermatologista ou em www.psoportugal.com.




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