Fotografia:
E assim vai a minha cidade

Há casos que, pela sua ingenuidade ou pela sua idiossincrasia, predispõem qualquer cidadão a mergulhar nas suas próprias cogitações para tentar perceber os meandros das políticas que se desenvolvem na nossa cidade.O primeiro caso partiu de uma “ideia genial e verdadeiramente inspiradora” talvez vinda da camada mais jovem da edilidade bracarense de pôr à venda por um euro um prédio em ruínas no centro histórico.

Armindo Oliveira
19 Jun 2012

Este tipo de ações, demagógicas e de um populismo anacrónico, não se enquadra numa sociedade responsável, nem numa economia de rigor, pois mais parece uma brincadeira pueril de alguém que não tem a noção da realidade e que não sabe o que é a vida. Foi neste jogo do “faz de conta” que o país se movimentou durante décadas e os resultados estão bem à vista de todos: um país falido, endividado e desmoralizado.
O móbil desta bizarrice residiu, numa primeira instância, na publicidade gratuita de um protagonismo forçado com fins bem definidos na política local. A verdade é que este caso, resolvido em duas sessões, teve “méritos” de ocupar algumas linhas na imprensa nacional. Era isto mesmo que se pretendia, já que a oferta seria impensável que se ficasse pelo mísero euro. Entretanto, fica-se a aguardar pelo fim desta história da reconstrução do dito imóvel.
Outro caso que merece alguma reflexão prende-se com o processo eleitoral para a concelhia do PS em Braga. Foi sobejamente conhecido e amplamente noticiado na imprensa local que uma lista conseguiu angariar, num curto espaço de tempo, cerca de mil e quinhentos novos militantes, sendo a maioria esmagadora jovens. Jovens desempregados e desiludidos com a vida e com os políticos. Jovens que se deixaram vergar por promessas sem sentido e inconsequentes. Mas, perante ofertas garantidas de colocação na CMB em caso de vitória, deu-lhes o alento de se filiarem na vã expetativa de, um dia, essa promessa irreal e fantasiosa se vir a concretizar.
É lamentável que se faça uso deste tipo de estratégia para se esmagar “democraticamente” os adversários. É um mau exemplo político que se dá aos jovens, uma vez que se passa a mensagem de que, neste mundo desta democracia, não há valores, não há ética e não há dignidade. É o vale tudo completamente desenfreado e o que importa é aproveitar estes oportunismos para nos podermos safar. Os resultados destes péssimos exemplos estão bem à vista de todos: degradação das instituições democráticas, partidos políticos formados por gente acéfala, subserviente e sem qualidade e líderes fracos que, um dia, terão a chatice de comandar os destinos desta gente que detém a cadeira do poder.
E assim vai a política da minha cidade salobra, manipuladora e ilusória.




Notícias relacionadas


Scroll Up