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Família: problema ou solução para o futuro da H manidade?

Diz-se muitas vezes que a Família é uma coisa do passado. Fala-se da Instituição Família como se fosse uma coisa retrógrada e que não faz parte do vocabulário dos homens e mulheres do século XXI. Outros, ainda, e nos dias de hoje, procuram modificar e alterar aquilo que foi, durante séculos, a definição de «Família». Para estes últimos, existe uma «Família tradicional» e a «Família». Do nosso ponto de vista, este é um erro a ser constantemente cometido pela Comunicação Social e pelas mais variadas pessoas.

José Carvalho
18 Jun 2012

A Família é, e como disse recentemente o Papa, fundada apenas e só na união entre homem e mulher. A Família nem é tradicional, nem moderna. É o que é: a união de um homem com uma mulher que devem estar abertos ao surgimento de novas vidas. O resto (as «famílias modernas») são caricaturas da verdadeira Família. E nada mais.
Assim, e se analisarmos com atenção este assunto, verificamos que a Família não é uma coisa do passado; pelo contrário, é a única Instituição que garante um futuro a todas as gerações. Além disso, fora de qualquer consideração moralista ou alarmista, a Família contribui de modo muito eficaz para a felicidade das pessoas. A Família faz mais e muito melhor do que o Estado ou os modernos «resolvedores» de todos os problemas e que se encontram um pouco por todo o lado.
Na atual situação, alguns dizem que a Família tem sido a maior vítima da crise. Não partilhamos dessa visão. Do nosso ponto de vista, é incorreto falar da «Família vítima da crise económica». Contudo, é bem verdade que a crise económica e a crise da Família têm uma «matriz comum» que reside nos males antropológicos do nosso tempo: o individualismo, o relativismo, o utilitarismo e o consumismo.
Esta crise, em alternativa, tem trazido alguns bens à Família: reforça a unidade das pessoas e permite uma relação de proximidade com os seus entes. Pode até dizer-se que a crise está a ser um mal que traz, em si mesma, um bem maior, pois está a permitir o reforço do chamado «espírito de Família», o reforço dos laços de caridade e apoio mútuos. E leva o Homem a olhar para o essencial e deixar o acessório.
Mais: a Família fundada pela união conjugal entre um homem e uma mulher, além de todos os acontecimentos culturais que a caraterizam, continua a ser o principal caminho para a geração e o crescimento da pessoa.
A Família é o lugar onde a criança aprende a falar, dá os primeiros passos, encorajados pela mãe e pelo pai, e olha para o futuro como promessa. É sempre graças à Família que cada um cresce nas relações sociais e laborais. Em particular, o saborear a confiança recíproca, indispensável para a convivência entre os homens.
A partir do modelo da Família, e de acordo com a investigação de Donati, é-nos revelado que a desconstrução da definição de Família que alguns procuram fazer (com a indiferença da maioria silenciosa de todo o Mundo, e não apenas dos portugueses) não melhora, mas só piora a condição existencial dos indivíduos, destinados, desta forma, a tornar-se sujeitos passivos, ao invés de actores da sociedade, capaz de gerar capital humano e social.
Este mesmo estudo mostra que a pretensa modificação do conceito de Família visa minar os estereótipos, como aquele em que, no interior da Família, o jovem seja educado para uma indiferença, para o relativismo e para a irresponsabiliade total em relação à sociedade e aos deveres cívicos.
A realidade, explicou Donati, é que a Família não é responsável por esta indiferença social e pela crescente crise, mas sim é vítima, enquanto só o Estado e o mercado têm tido nos últimos anos um papel negativo.
A Família, aliás, é sempre um «jogo de soma positiva», diz Donati, porque ao mesmo tempo que, gerando muitos filhos, diminui os recursos económicos disponíveis, por outro lado há uma relação inversa entre a «riqueza económica e a riqueza relacional».
De tudo o que escrevemos, e sabendo que alguns podem não concordar (embora todos têm a obrigação de respeitar!), perguntamos se a Família é ainda um excelente recurso para a pessoa e para a sociedade ou, pelo contrário, é um resquício do passado que impede a emancipação dos indivíduos e o advento de uma sociedade mais livre, solidária e feliz.
Vale a pena pensar nisto!




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