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A “nova” toponímia da Europa Oriental

1 O ano em que eu conheci a antiga Iugoslávia).No já recuado ano, não interessa qual, em que visitei pela 1ª vez a antiga Iugoslávia, entrou em mim o “bichinho” do Eslavismo. Eu, já o disse uma vez aqui, sou mais favorável a uma Europa dividida em 3 ou 4 federações políticas (p. ex., do Norte, do Sul, do Leste) que ao actual modelo do caldeirão de nações a dissolver lentamente em ácido globalista, condimentado com doses macissas de imigração alienígena e melânica.

Eduardo Tomás Alves
18 Jun 2012

E penso assim, porque o facto de eu ser português e nacionalista moderado não me impede, bem pelo contrário, de ser também anglófilo, hispanófilo, germanófilo, francófilo e até italianófilo (além de japonófilo,é verdade). E por gostar tanto de todos esses nossos primos europeus é que me posso considerar, sem sombra de dúvida, europeista.
Tinha eu 17 anos, acabara o liceu e o meu pai pagou-me uma viagem de avião a Londres, na companhia de 3 amigos, com estadia no YMCA. Da inesquecível  Lundenburg viagei de comboio e barco até Paris onde reencontrei a família, que lá tinha chegado de auto-caravana ( na época usava-se muito).Daí fomos pela Baviera e Aústria até ao sul da Grécia. De permeio ficavam os Bálcãs, esse “continente desconhecido”. Eu não sonhava o impacto nos meus sentidos e na minha afetividade que a entrada pela fronteira da Eslovénia num fim de tarde de verão iria causar em mim por tantos anos. Logo à noitinha houve um jantar numa grande albergaria de madeira onde os violinos, os cantos e as danças celebravam um casamento. Nos dias seguintes foram os carvalhais intermináveis da Croácia ( Eslavónia) e do norte da Bósnia. Depois Belgrado e o calor, os trigais e largos vales da Sérbia e da Macedónia, entre montes cobertos de verde escuro. No regresso, a grande planície do Kosovo sob a lua cheia, as gargantas calcárias e boscosas a caminho do mar, os pântanos do lago de Skadar, a surpresa do mar desde o alto do precipício de Kotor. E os lagos de Plitvice. Até hoje…
Daí a contrariedade que me causou a divisão da federação cuja capital era Belgrado. E o bombardeamento desta velha cidade pelo “namorado da Mónica”, às ordens da feiticeira Magdalena Korbelova, vingando questões pes-
soais antigas. E mais ainda, o roubo aos sérbios do “campo dos  melros” (Kosovo) e a prisão e morte do patriota Milóshevitch.
2  Todo um mundo desconhecido para os tradutores da Agência Lusa…). As minhas 5 viagens levaram-me a aprender sérbio-croata e russo, que hoje esqueci em parte. Porém, outros com mais obrigações deram prova de grande ignorância quando as transformações da Europa de Leste depois de 1992 trouxeram para o noticiário os nomes de povos e terras para eles quase desconhecidos. Alguns exemplos: logo a começar o nome Sérvia, que se deveria escrever com “b”, Sérbia. Em francês, inglês, alemão, espanhol, italiano ou russo (e em sérbio…) escreve-se com “b”, traduzindo o original “Srbija”. Outro exemplo, não se diz “bósnio”, mas sim bos-
níaco ou bosniano, o que é mais que confirmado p. ex. nas enciclopédias portuguesas antigas ou na tradução do belo livro de Andritch, “A ponte sobre o Drina”. Assim como os da Bósnia são bosníacos (-anos), os naturais da Estónia sempre foram estonianos (e não “estónios”) e os da Letónia, letões (e não “letónios”). Por outro lado a palavra “ Iugoslávia” deveria escrever-se sempre com “i” e não com “j”, pois é assim que os locais a prenunciam. É verdade que em croata “j” se lê “i” mas é por isso mesmo! “Jug” quer dizer “sul” em croato-sérbio. Outro ex., a divisão da Checoslováquia em Eslováquia e Rep. Checa. A parte da Rep. Checa sempre se disse em português “Boémia e Morávia”. Embora a palavra Boémia venha do alemão “Boehmen” e não do checo Cehy (lê-se “tchéhi”). Daí que também se possa dizer Chéquia ou Tchéquia. E na Ásia Central há o Quirquizistão (ou Quirguízia) que há quem queira sem “z”. E o mesmo se diga de Bielorrússia (ou Rússia Branca) que nos anos 90 os génios se lembraram de baptizar “Belorus”. É o mesmo seguidismo ignorante e apressado dos que dizem Sri Lanka,  Kampuchea, Burkina Faso, Maputo, Guauteng,  Beijing, em vez de Ceilão, Cambodja, Alto Volta, Lourenço Marques, Transvaal ou Pequim.
3 Lviv ou Lvov?). A sangrenta história da fronteira (“kraijna”) do sul da Rússia testemunha que a Ucrânia é para a Rússia como o Alentejo e Algarve para Portugal. O seu momento atual é uma amputação da pátria comum. A língua da Ucrânia é pouco mais que um dialeto russo. E em português sempre se disse Lvov, Karkhov, Kiev. Por quê agora dizer com “i”, como “parquímetro” em vez de parcómetro? Para mais, Kiev é onde nasceu a nação russa (aliás, fundada pelos suecos…). E Lvov é a “cidade de leão”, lembrando um príncipe medieval chamado Lev. O seu nome em alemão é Lemberg. Os alemães medievais fundaram muitas das cidades polacas e checas, cujo nome sempre se disse em português, de forma germanizada. Assim Posen, Danzig, Breslau, Bromberg, Stettin, Pilsen. Em vez das arrevesadas Poznan, Gdansk, Wroclaw, Bydgoszcz, Szczecin, ou Plzen. Que ainda para mais se leem de modo bastante diverso da forma como se escrevem.




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