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As cadeias de oração

De vez em quando, aparecem na caixa do correio eletrónico mensagens a propor uma cadeia de oração eficaz para qualquer necessidade e a não a deixar quebrar, passando-a para determinado número de pessoas, porque só assim poderá obter o resultado pretendido. Algumas vezes, até ameaçam com castigos se a recusarem ou não cumprirem as cláusulas dessa cadeia. E, claro, há sempre pessoas que acreditam e vão nessa. Não custa nada (dizem eles) e até pode ser que dê resultado.

M. Ribeiro Fernandes
17 Jun 2012

Realmente, acenar com a oferta de um bom emprego ou de um bom negócio nesta época de crise, é tentador e incentiva a acreditar e a entrar nesse jogo das cadeias de oração. Se dá esse resultado ou não, não sei, nunca comprovei; mas presumo que há um resultado que sempre dá: desvirtuar o sentido de oração. É que, nessas cadeias de oração, a garantia do resultado pretendido não está nem na confiança filial da fé nem na sinceridade da oração, mas na crença supersticiosa e na manutenção e alargamento da referida cadeia, que funciona como um mecanismo de pressão.

1. Para além de um primitivismo supersticioso de religiosidade, implica a representação antropomórfica de Deus como um ser humano a quem se pede um favor e, se o não concede, faz-se uma espécie de manifestação pública de para o forçar a conceder. A oração deixa de ser um diálogo íntimo de fé e de confiança básica em Deus e passa a ser uma forma mágica e ritual para o obrigar a fazer o que lhe pedem. Esta prática pode remeter também para um tipo de pregação pouco esclarecida. Custa acreditar que a oração sincera de uma pessoa tenha menos aceitação junto de Deus do que a oração de muitas pessoas, ao mesmo tempo, a pressioná-lo. Não quer dizer que não se compreenda que o ser humano, em dificuldades que não consegue resolver, tenda a recorrer à oração a Deus, para quem tudo é possível e outros o façam também com ele por solidariedade. Mas, esta forma de oração parece conter algo de diferente. Vejamos o quê.

2. Em experiências feitas nos USA, concluiu-se que, se houver um número de pessoas que rezem pela saúde de um doen-
te, ele tende a curar-se mais depressa. Os resultados são conhecidos. Mas, será por causa dessa cadeia de oração, ou haverá aí outra realidade física interveniente como causa para além da oração propriamente dita?
O ato de rezar, para além de uma forma de comunicação com Deus, que está presente no íntimo do nosso ser e, por isso, não precisa de outra forma de comunicar (mas precisamos nós, para exprimir os nossos sentimentos), é também uma forma de concentrar a nossa atenção e a nossa energia natural nesse objectivo. Se, como escreve Greg Braden, ex-perito da NASA e estudioso destas matérias à luz da Física Quântica, cada um de nós é mais energia do que matéria, o nosso pensamento, as nossas emoções, a nossa oração são formas de energia que podem ser focadas num objectivo; e, se forem várias pessoas a fazê-lo ao mesmo tempo, a concentração de energia é maior e pode facilitar mais a realização desse objetivo pretendido. Será este o caso das cadeias de oração? Estamos longe de conhecer o poder da mente.

3. Dentro desta ordem de ideias, a telepatia, através da nossa energia mental, é um fenómeno natural, embora pouco comum, porque o grau de sensibilidade não é igual em todos. Foi demonstrado que, por exemplo, uma gata reagia, a milhares de quilómetros, se estivessem a fazer mal às suas crias. Quando temos um afeto especial por alguém, a nossa energia afectiva está mais focada nele. Isso faz com que, as vezes, quando recebemos um telefonema e, antes que o aparelho nos informe da origem da chamada, possamos identificar a pessoa que nos está a telefonar. Outro que possamos prever determinada coisa antes que ela aconteça, em coisas mais carregadas de emoção. Agora, que as televisões transmitem o Europeu de Futebol, acontece, por exemplo, estar-se a ver um desafio de futebol pela televisão e, de repente, sentir que uma equipa vai marcar golo. E não o marca porque o telespetador gostava, mas porque instantaneamente sente que isso vai acontecer. É uma previsão que se intui.
Há muitos fenómenos deste género; nós é que estamos pouco atentos a isso. Há dias, ia estacionar o carro num local onde já estacionei muitas vezes, sem qualquer problema e, de repente, senti que ia raspar o carro na coluna. Foi como um flash que veio e desapareceu. Não liguei… e continuei. Resultado: aconteceu mesmo…
Voltando às cadeias de oração, não se deve confundir oração com outros fenómenos que nós ainda não sabemos explicar. Há um imenso mundo de potencialidades que Deus colocou ao nosso dispor e que nós ainda não sabemos utilizar. Nem se deve confundir religião com magia.
Na oração, tudo o que não seja diálogo de amor e de confiança não pode ser oração, porque se trata de um diálogo íntimo de amor e confiança básica da fé.




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