Fotografia:
Mais barato que a terapia

Os avanços na Medicina ocorrem em várias frentes. É importante descobrir novos tratamentos, mas… não será tanto ou mais importante evitar que as doenças surjam? Esta perceção é cada vez mais global, ecoada nos hinos de prevenção da doença e promoção da saúde dos cuidados de saúde primários.

Vítor Cardoso
16 Jun 2012

Hoje, gostava de falar de um “medicamento especial”. Conhecido há já vastos anos, tem provas dadas do seu efeito em diminuir os acidentes vasculares cerebrais, doenças do coração, a tensão arterial, a osteoporose, o risco de quedas e de vir a desenvolver demência, depressão, diabetes, obesidade e cancro da mama ou do intestino. É ainda, uma das terapêuticas mais eficazes em aumentar os valores de colesterol HDL, o chamado “colesterol bom”. Segundo o decreto-lei n.º176/2006, “medicamento é toda a substância (…) possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em seres humanos”. Falo-vos de exercício físico, um medicamento de benefício preventivo, cuja substância é gratuita e reside dentro de cada um. Os motivos pelos quais não fazemos uso dele são variados, em grande parte fruto dos constrangimentos das sociedades modernas. Mesmo sob o ritmo das maratonas laborais, por vezes com privação do seio familiar; uma gestão adequada das tarefas diárias, adicionada a uma boa motivação, permitirá agendar um pequeno espaço diário para a prática do exercício físico.
Não confundamos porém, exercício físico com desporto. O primeiro refere-se a qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que usam energia, como caminhar, fazer jardinagem ou dançar. Note-se que qualquer atividade física é melhor que nenhuma, devendo as pessoas ser tão fisicamente ativas quanto as suas capacidades ou condições o permitirem. A expressão “faz bem ao corpo e à mente” traduz, de forma soberba, o seu benefício.
A prescrição de exercício físico a crianças saudáveis é desnecessária, contudo, torna-se cada vez mais imperativo o incentivo à atividade física a crianças, perante os números alarmantes de obesidade infantil associada ao sedentarismo. Há que limitar o uso da televisão, computador ou consolas, e estimular atividades lúdicas com a família, comunidade ou amigos, como brincar, jogos, desportos, etc. Servirá também para incutir o hábito do exercício físico desde cedo. A Organização Mundial da Saúde recomenda aos jovens, pelo menos 60 minutos de atividade física por dia. Aos indivíduos adultos (incluindo os idosos), a mesma organização recomenda a prática de, pelo menos, 150 minutos por semana. Caminhar é um excelente exercício físico para pessoas de todas as idades pois não requer qualquer habilidade ou equipamento específico e pode ser um motivo de convívio social. Precisará apenas de vestuário e um par de sapatos confortáveis. A atividade deve ser praticada em períodos de, no mínimo, 10 minutos, sendo os resultados cumulativos. Ou seja, o efeito é semelhante se fizer uma caminhada de 10 minutos, três vezes por dia, ou se a fizer em 30 minutos de uma só vez. Comece devagar, atingindo um ritmo de passos em que consiga ir a falar. Não deve sentir dores musculares; se isso acontecer abrande um pouco. Não se pretende que o exercício físico de alguma forma complique a sua vida. Pelo contrário, pretende-se que promova a sua saúde.




Notícias relacionadas


Scroll Up