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Outro Ponto de Vista

Não pertenço à tribo dos que consideram que a atual geração é a mais bem preparada. Não obstante, é a mais bem diplomada. Até aos domingos e feriados se certificam formações superiores! Deste intróito provocatório, uma reflexão sobre os previsíveis e conhecidos resultados das provas de aferição da língua materna e matemática.

Acácio de Brito
15 Jun 2012

Se, quanto à Matemática, se exige o domínio do raciocínio lógico, a resolução de problemas e uma harmoniosa compreensão do mundo, no Português obriga-se ao domínio primeiro que permita a descrição, a fruição e compreensão da função comunicativa.
Quando não dominamos, de todo, as regras da língua, quando não percebemos o código de comunicação subjacente, como perceber ou inteligir os problemas a resolver na Matemática? De todo impossível. 
Mas se adicionarmos a impreparação científica que vai grassando nos espaços que seria suposto serem lugares de excelência de aprendizagens, o caldo fica entornado.
Infelizmente parece-nos ser um dos casos emblemáticos que ajudam a perceber o nosso atraso endémico que tem consequências gravosas no viver quotidiano.
Temos mestres, não de obras, mas diplomados por instituições ditas superiores que nunca se licenciaram em universidade alguma! Impossível de acontecer num país normal. No nosso, em que alguns gostam do faz de conta, é realidade constatável todos os dias.
Esta uma realidade que se pode demonstrar, infelizmente, e tem como consequência que impreparados se apresentam, com desonestidade intelectual, como mestres de tudo e de coisa nenhuma.
A conclusão parece-me de uma evidência cartesiana. Sistema educativo que permite que a mediocridade se pavoneie com ares de pretensa sapiência só pode degenerar em tragédia. Sábios de coisa nenhuma, que se escondem em estudos de nada, que se refugiam em dados herméticos e estatísticos, têm contribuído para a situação atual.
Lastimosa!
Não se intelige como é possível gastar tantos recursos financeiros e humanos e os resultados continuarem, sempre, muito mal. Ninguém é responsabilizado? Tem de haver um tempo em que alguém diga que “o rei vai nu”!
Mas não foram as Escolas objeto de uma avaliação externa, da responsabilidade de uma entidade de excelência? Já alguém verificou e compaginou a dita avaliação com os resultados nesses areópagos da excelência?
E os ditos e excelsos avaliadores, foram objeto da publicitação das suas competências avaliativas, nomeadamente, qual a sua formação académica de base, a sua habilitação profissional e as escolas em que se formaram?
Se conseguirmos responder a estas e outras questões, então, se calhar, começamos a perceber que as razões deste insucesso, hoje mais patente no Português e na Matemática, têm mais a ver com razões de montante, no âmbito da formação dos docentes, e a jusante, na sua monitorização ou verificação inspetiva, por parte de quem sabe, ou devia saber, o que está a fazer.
Perante as evidências, a letargia dos atuais responsáveis governamentais, na resposta que tarda, é uma desilusão!




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