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Momento de partilha

Estou a escrever este artigo depois de uma experiência na Comissão Técnica no Campeonato do Mundo de Voleibol da ISF (Federação Internacional do Desporto Escolar), que se realizou em Toulon (cidade na Região do Cote d’ Azur, no Sul de França), e decorreu de 2 até ao dia 10 de junho. A competição, em ambos os géneros, foi muito renhida, tendo vencido a Polónia no masculino e a nossa vizinha Espanha, no feminino.

Carlos Dias
15 Jun 2012

O nível da competição foi muito bom, especialmente tendo em conta que são equipas escolares (provavelmente algumas das nossas equipas seniores do campeonato A1 não lhes ganhariam). Estiveram envolvidos 28 equipas masculinas e outras tantas femininas, num total de 950 participantes (delegações oficiais) e foram utilizados 16 pavilhões. A avaliação final foi relativamente positiva, apesar da existência de alguns problemas de ordem organizativa (transportes e acomodações).
Contudo, a experiência foi obviamente muito rica para qualquer participante e para nós também. Como é hábito nestas organizações, são propostas algumas atividades sociais, destinadas aos alunos participantes e que se transformam num momento de partilha cultural ex- traordinária. Permitam-me compartilhar convosco algumas ilações positivas que retirei. Em primeiro lugar a festa em paralelo com a competição, depois a defesa de um ideal de proteção ambiental, o enorme envolvimento local, o investimento das instituições locais do turismo e das escolas envolvidas, o número de voluntários (incansáveis no apoio que proporcionaram às delegações presentes) mas, acima de tudo, o convívio entre jovens de várias proveniências, que de uma forma salutar e natural partilharam culturas e que jamais esquecerão.
Uma das noites do evento foi destinada à “noite das nações”, cerimónia obrigatória em todas as competições da ISF, e que tem como grande objetivo aproximar as culturas, os povos e de facto permitir que o “mundo dê as mãos”, nem que seja numa só noite. Nesta simbólica cerimónia, as comitivas disponibilizam algumas lembranças típicas e realizam uma apresentação do seu País (canção, dança ou peça teatral). As diferenças entre os povos de todo o mundo são notórias mas é gratificante assistir à partilha, à festa, à alegria e ao envolvimento de todos, quer como executantes, quer como espetadores.
Quanto à competição, constata-se que o nível é genericamente elevado, e que, tal como no nosso País, as equipas que mais trabalham, mais se dedicam, que mais se empenham e que tem mais tempo de trabalho, são as melhores equipas. A final masculina foi uma “verdadeira final”, a equipa da China Taipe esteve a ganhar (2-1 em sets) e 23-19, depois 24-21 no quarto set, e acabou por perder, empatando a Polónia a 2 parciais. Na negra, a equipa polaca foi mais serena e venceu por 15-12. Foi mais uma lição para todos: a vitória só acontece quando se conquista o último ponto em disputa e não há vencedores por antecipação.
Senti um prazer enorme em poder participar neste evento e sendo um dos dez elementos que compõem a Delegação Técnica, responsável pelo controlo desta importante organização internacional, também estou de mãos dadas com os propósitos da ISF e com o espírito desportivo… Por um mundo melhor! Desejo, sinceramente, que este efeito se possa expandir por muitos, senão todos, os participantes deste evento.

carlos.dias03@gmail.com




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