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Carta aberta à AF Braga

Numa altura em que, a nível nacional, se discute novamente a questão da importância da prática desportiva, gostaria de a abordar pelo lado do futebol de 7 da nossa região. Gostei de ver na recente festa da nossa associação a alegria das duas a três centenas de crianças (de um total de sensivelmente 3000 que participaram nos campeonatos) a receberam medalhas de vencedores das respetivas séries dos campeonatos de benjamins e infantis.

Carlos Mangas
15 Jun 2012

A questão que coloco é: estas crianças tiveram um quadro competitivo coerente e exigente que lhes permitisse evoluir como futebolistas? A (minha) resposta é não. Aceito que estejam mais aptas desportivamente, mas no que se refere à evolução como futebolistas, as lacunas competitivas são imensas.
A falta de exigência emanada dos deficientes quadros competitivos coarta em muito as possibilidades de evoluírem para patamares de excelência consentâneos com as exigências do futebol jovem atual.
Não se pode aceitar que crianças que treinam três a quatro horas semanais tenham um quadro competitivo que lhes possibilite jogar apenas 20 a 30 minutos por semana, partindo do princípio que, independentemente do resultado, os treinadores/formadores destes escalões, proporcionam a todos a oportunidade de jogar.
Por tudo isto, não é de estranhar que jovens futebolistas federados sejam vistos com frequência nos campos da Rodovia no dia do fim de semana em que não têm jogo pelo clube, a jogar, porque a solicitação da véspera ou do dia seguinte se resumiu ou irá resumir àquele tempo (vinte a trinta minutos) manifestamente insuficiente para as necessidades que o seu organismo reclama.
Não faz sentido, a competição de futebol de 7 ser “copy/
/paste” dos seniores. No desporto escolar, em que as exigências de treino se resumem a um ou dois por semana, as crianças fazem torneios com três e quatro equipas ao fim de semana, realizando dois a três jogos cada equipa.
Entendo por isso que deve ser melhor aproveitada a excelência de condições que os inúmeros sintéticos existentes na região podem proporcionar. Nestes escalões, o ideal seria que cada equipa realizasse dois a três jogos num dos dias do fim de semana, aquilo que acontece afinal nos finais de época nos inúmeros torneios em que participam.
Poderiam coexistir em cada campo, dois jogos em simultâneo no sentido lateral, como muitos treinam, e cada equipa faria três jogos nessa manhã. Não há marcações? Usam-se os cones dos treinos, para delimitar espaços. Não há árbitros suficientes? Com quatro equipas concentradas bastam dois árbitros para seis jogos, mas porque não, cada equipa ao inscrever-se, apresentar um elemento para a função. Acabava-se com a “campeonite aguda” que a presença de um “árbitro a sério” às vezes gera nos treinadores e pais. E as crianças respeitá-lo-iam, desde que os adultos o fizessem também.
No Natal terminaria a 1.ª fase, com todas as crianças a terem já mais tempo de jogo do que numa época inteira com o atual quadro competitivo. E aí, far-se-iam novas séries agrupando os 6 ou 7 primeiros de duas séries numa nova série e os da 2.a metade a integrarem outras, criando-se assim um equilíbrio competitivo que não existe atualmente.
No final da época haveria prémios para todos os vencedores de séries e teríamos crianças de equipas que habitualmente não têm sucesso, a ter oportunidade de ganhar jogos e receber prémios, o que com o modelo competitivo atual é manifestamente improvável.
As sugestões acima apresentadas devem ser vistas apenas como o meu contributo para uma discussão séria do que pretendemos para o futebol jovem da região, sendo, como é óbvio, as decisões deixadas a quem de direito, associação e clubes.




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