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Que Hermes os ajude e nos proteja a nós!

Creio que a poliúrica verborreia (escrita e falada) que, nos dias que correm, tem preenchido jornais, rádios e televisões, acerca das prestações da Seleção Nacional nos últimos tempos (incluindo nos jogos já realizados no Euro-2012, contra a Alemanha e, ontem, contra a Dinamarca) – já enjoou quase toda a gente…

Carlos Manuel Ruela Santos
14 Jun 2012

Por esse motivo, e ainda que pudesse ser “oportuno” falar hoje do mesmo “assunto” nesta coluna, tenho para mim que, isso, seria “abusar” da paciência dos leitores – razão por que vou direcionar este espaço para outra matéria que, embora não pareça à primeira vista, também é de extrema importância desportiva.
Assim, porque vem a propósito, permita-se-me evocar o deus Hermes, um dos mais antigos da mitologia grega, já que se trata de um dos deuses olímpicos – filho de Zeus e de Maia, e possuidor de variadíssimos atributos.
Entre esses múltiplos atributos (que vão desde a fertilidade à pastorícia, da magia à adivinhação, das viagens à ginástica, da diplomacia à astronomia, da eloquência à tarefa de guiar os mortos para o reino do Hades), Hermes ganhou também o “estatuto” de patrono dos comerciantes e… dos ladrões!
É útil recordar que já no seu primeiro dia de vida Hermes realizou várias proezas e exibiu vários poderes: furtou cinquenta vacas a seu irmão Apolo, inventou o fogo, os sacrifícios, as sandálias mágicas e a lira. E no dia seguinte, perdoado pelo furto das vacas, foi investido de poderes adicionais por Apolo e por seu pai Zeus – concedendo a Apolo, por sua vez, a arte de uma nova música, sendo admitido no Olimpo como um dos grandes deuses.
Não restam dúvidas que Hermes foi um dos deuses mais populares da Antiguidade clássica, sendo, por isso, um dos mais “celebrados” nos escritos dos mitógrafos – e ainda hoje é olhado com “simpatia” pelos… comerciantes!
Ora, enquanto os nossos (supostamente) melhores futebolistas dançam nos palcos da Ucrânia e da Polónia com o nome de Portugal às costas, os dirigentes dos clubes nacionais vão-se pelando por fazerem jus ao “patronato” de Hermes – comercializando os seus jogadores: vendendo alguns por uns milhares de euros e comprando outros, para a próxima temporada, por bastantes… milhões! É por estas e por outras semelhantes que o futebol nacional está pelas ruas da amargura no aspeto económico-financeiro. Veja-se, a título de exemplo, o “balancete” dos três principais clubes portugueses, habitualmente chamados “grandes”: por atacado, têm uma dívida soberana (como agora sói dizer-se!) da ordem dos… 800 milhões de euros!!! Assim como é por estas e por outras semelhantes que vários dos clubes nacionais da divisão principal não puderam “concorrer” às competições europeias – já que a maioria deles, devido a megalómanas e mercantilistas jogadas na compra de futebolistas, nem dinheiro tem para fazer cantar um cego, quando mais para pagar salários (alguns ultra-
-milionários…) aos seus atletas!
Daqui resulta que, tão importante como “observar” as prestações da nossa Seleção, é “observar” os negócios que os adeptos de Hermes vão realizando durante este “defeso” – sob pena de, a breve prazo, nem Seleção haver!




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