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Solidariedade

Apesar de carenciados e pobres, os portugueses ainda são espantosamente solidários. Quiçá, dos povos mais solidários do mundo. E quanto mais se agudiza a carência e a míngua, mais esta onda de solidariedade tende a crescer.

Dinis Salgado
13 Jun 2012

É o caso, por exemplo, das doações ao Banco Alimentar contra a Fome que, na campanha de 26 e 27 de maio último, bateram todos os recordes. Assim, segundo a imprensa diária, foram recolhidas duas 2.644 toneladas de produtos alimentares, mais 13,7 por cento que na campanha anterior. Isto vai permitir que sejam apoiadas duas mil cento e dezasseis instituições de solidariedade social e atendidas 337.000 pessoas carenciadas.
De realçar que, nesta ação, estiveram envolvidos 37.000 voluntários, de norte a sul da país. Foi mesmo esta a maior ação de voluntariado a que o país assistiu e que contou com a disponibilidade e entrega de milhares e milhares de crianças e jovens, o que perspetiva, futuramente, a sua continuação e êxito.
Ora, ser voluntário, nestas como noutras ações e contextos, é a maior prova de solidariedade que se pode dar. Porque alheio a fulanismos, compensações ou louvaminhas, quem é solidário põe na ajuda ao próximo toda a generosidade, disponibilidade e partilha de que é capaz. É a máxima evangélica do faz aos outros o que gostavas que te fizessem a ti.
Segundo o Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, existem cerca de 1.6000.000 voluntários no nosso país o que, em termos estatísticos, quer dizer que, aproximadamente, um em cada seis portugueses é voluntário, ou melhor, dedica-se desinteressadamente a servir os outros. E é neste particular que damos, sem dúvida, lições ao mundo.
Igualmente, o recém-criado movimento Direito à Alimentação, que visa a doação de sobras de restaurantes e cantinas aos mais carenciados e necessitados, é mais uma prova de solidariedade social que congrega já cerca de 700 estabelecimentos aderentes. Somos também o segundo país no mundo com mais dadores de órgãos por milhão de habitantes o que, obviamente, permite salvar centenas de vidas.
Pois bem, o que pode estar por detrás desta tendência solidária e generosa dos portugueses, deste dar-se plenamente aos outros sem nada esperar receber em troca? Penso que é, simplesmente, uma questão cultural e que define a idiossincrasia de um povo, dado aos nobres valores e aos brandos e bons costumes. E a que não é estranho um real paradoxo: esta onda de solidariedade parte sempre dos que pouco ou menos têm e mais precisam.
Esta enfática evidência merecia de governantes e políticos mais atenção e acolhimento. Sobretudo, a prática do nobre e bom exemplo que, inexplicavelmente, quase deixou de vir de cima.
Então, até de hoje a oito.




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