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30% de crianças carenciadas, em Portugal

Segundo dados de um relatório da Unicef, publicado por estes dias, três em cada dez crianças, em Portugal, vivem em situação de carência económica. Embora os dados sejam de 2009 – hoje talvez estejamos muito pior! – tudo poderá ainda agravar-se mais, se tivermos na devida conta que os parâmetros de avaliação tendem a situar-nos na cauda dos países da União Europeia. Piores do que nós só a Letónia, a Hungria, a Bulgária e a Roménia.

11 Jun 2012

O estudo da Unicef avaliou a situação financeira e habitacional, a alimentação e o vestuário, a educação e os tempos livres, a ‘comunidade’ (onde se incluem itens como o ruído, a poluição e a criminalidade) e o ‘social’, que engloba festas, amigos e viagens escolares das crianças.
Segundo os investigadores da Unicef, é considerada “carenciada” uma criança que não tem acesso a duas ou mais das 14 variáveis de base, tais como três refeições por dia, um local tranquilo para fazer trabalhos de casa, livros educativos em casa, uma ligação à internet, ter pelo menos dois pares de calçado, possibilidade de celebrar, por exemplo, o aniversário.
Em Portugal, o maior problema é ao nível financeiro, atingindo 43,3% das crianças, seguindo-se a questão dos tempos livres (29,4%), do problema ‘social’ (26,4%) e temática da educação (25,8%).
– Quando vemos crescer uma certa rotina da valorização dos animais em detrimento das crianças, não estaremos a construir uma sociedade sem filhos, sem futuro e sem saída?
– Quando vemos crescer o espaço, nas áreas comerciais e em grandes superfícies de distribuição, para alimento de animais em detrimento dos cuidados das crianças, não estaremos a cavar a nossa desgraça à custa dum certo bem-estar egoísta?
– Quando vemos florescer a aposta no filho único e se faz, por seu turno, o cultivar do passeio, a preferência pelas férias ou por um carro melhor, não estaremos a lançar fogo à consolidação da família e dos critérios altruístas mais mínimos?
– Quando vemos as pessoas serem tratadas como clientes (sejam as crianças ou os velhos), sobretudo numa agora atualizada linguagem da segurança social, não estaremos a fomentar, particularmente, uma visão utilitária das pessoas, tornando-as números e parcelas de um lucro/prejuízo nessa tal mentalidade economicista?
– Quando nos apercebemos de que há tantos interesses materialistas e ideológicos, que vão vingando a sua perspetiva de irem fazendo da pessoa humana uma mera peça da engrenagem hedonista, não estaremos a reduzir-nos  (mesmo que inconscientemente) à simples aritmética do capitalismo liberal ou de socialismo de Estado, sem pátria, sem rosto e sem nome?

Por isso, ousamos dizer: cuidado:
– porque estão a tirar o coração aos nossos filhos, sugando-lhes o sentido da vida, mesmo que estejam a dar-lhes coisas, mas que não saciam a vontade mais profunda do ser humano: ser feliz com os outros, abrindo-nos à dimensão do divino em nós.
– porque também não será com festivais de música (seja qual for o estilo, a frequência ou a influência) nem com representações romanas ou medievais revivalistas que daremos sinais de dignidade às crianças de hoje, que serão os homens/mulheres de amanhã.
– porque importa ter como horizonte de visão mais do que o alcance dos pés da estátua, urge, portanto, valorizar as vivências que perduram pela vida fora mais do que as sensações do momento epicurista.
De facto, na medida em que vivermos com o olhar na meta do mais alto, do mais longe e do mais profundo, seremos capazes de cativar outros para a sua inesquecível vivência, em Deus e pela Igreja.




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