Fotografia:
António Borges e o genro de Bill Gates

A história, uma daquelas que circula pela Internet, é composta por três cenas. Na primeira, encontram-se pai e filho. O primeiro a falar é o progenitor: “Meu filho, descobri uma excelente rapariga e vai ser com ela que te vais casar”. “Mas, pai, prefiro ser eu a escolher a minha mulher”. O filho não chega a completar a resposta porque o pai o interrompe: “Ó meu filho, olha que ela é a filha do Bill Gates”. “Nesse caso, aceito casar com ela”, conclui o rapaz.

Eduardo Jorge Madureira Lopes
10 Jun 2012

Tendo arranjado maneira de se encontrar, por uns instantes, com Bill Gates, é com ele que o pai fala na cena seguinte. “Caro Bill, tenho o marido ideal para a sua filha!”. “Mas a minha filha é muito nova para casar!”, responde o interlocutor. “Mas olhe que o jovem é vice-presidente do Banco Mundial”, contrapõe o pai. Bill Gates anui: “Assim sendo, tudo bem, concedo a mão da minha filha”.
Na última cena, o pai, tendo feito sabe-se lá o quê para o conseguir, fala com o Presidente do Banco Mundial: “Senhor presidente, eu tenho um filho que, como ninguém, preenche todos os requisitos para ser vice-presidente do Banco Mundial”. “Mas eu já tenho vários vice-
-presidentes. Mais do que o necessário”, responde o banqueiro. “Mas este jovem, caro senhor, é genro de Bill Gates”, atira o pai. A resposta foi rápida: “Se assim é, amanhã pode vir ter comigo para eu o nomear para o cargo!”.
A anedota do genro de Bill Gates, que ilustra os efeitos das insinuações eficazes, tem um correlato numa história portuguesa que se conta a propósito de um barão partidário, hoje reformado. Não se lhe conhecendo particulares aptidões políticas que o recomendassem para os cargos que ocupava e, sobretudo, para os que lhe prognosticavam, acabou por se explicar a notoriedade de que gozava por um singular cruzamento de equívocos: no Norte, era considerado importante porque se supunha que era importante na capital; na capital, atribuíam-lhe importância porque o julgavam importante no Norte.
A suposição de prestígio, hoje, tem de ser soprada de fora. Dizia o i, na segunda-feira, que António Borges passou “de figurinha internacional a figurão nacional”. Borges “sempre fez figura cá dentro à conta de ser um quadro da Goldman Sachs”, mas “não passava ou passa de um peixe miúdo” no mundo da instituição financeira, que,
aliás, não tem uma reputação recomendável, tendo estado envolvida, recordava o jornal, na falsificação das contas públicas gregas. Afirmava o i que, “como em terra de cegos basta ter um olho para ser rei”, Borges “chegou a imaginar ser líder do PSD, embalado por uma parte da comunicação social que o apresentou, na altura, como o Messias salvador dos sociais-
-democratas e da pobre política nacional”.
António Borges, que foi “despedido do FMI para a Europa por ser incompetente”, segundo refere ainda o i, citando um jornalista belga, autor de um livro sobre a Goldman Sachs, ganhou, em 2011, 225 mil euros livres de impostos “e mais uns milhares por ser o responsável pela venda de empresas do Estado”. Borges ganha muito, mas quer que os portugueses (que, de resto, lhe pagam parte do ordenado) ganhem pouco. Há gente com fome e com vontade de comer sempre pronta a censurar o mais moderado apetite dos outros.
A capacidade de mistificação, temperada por um ou outro equívoco oportuno, tem sido muito importante para o sucesso de determinadas carreiras políticas, razão por que abunda gente fraquinha, nem sequer assim-assim, com percursos surpreendentes alicerçados no nada. A nação está repleta de genros de Bill Gates, tendo, não poucos, sido condecorados em dias como o que hoje se celebra.




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