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Haja coerência

Vítor Sousa venceu, no sábado passado, sem surpresas, as eleições para a Comissão Política da Secção de Braga do Partido Socialista. Aquando da apresentação da sua moção de estratégia, o, à data, candidato apareceu na imprensa apregoando uma ou outra ideia daquela que, mais do que uma moção de candidatura interna de um partido, pretendia ser uma candidatura à Câmara Municipal de Braga.

José Baptista
9 Jun 2012

Assim, ao público em geral foi passada uma imagem redutora daquilo que é o conteúdo do documento. À exceção de palestras de apresentação com um público mais exclusivo, pareceu que em praça pública é de maior valor a exposição de chavões ideológicos sobre o debate e participação dos militantes que a discussão dos tópicos apresentados na moção.
Ora, ainda que se verifique, ao longo de todo um texto, uma máscara de propostas politicamente corretas, é possível com uma observação atenta encontrar várias incongruências quanto aos pontos referidos nesta moção como objetivos de Vítor Sousa para Braga.
Antes de mais, apresenta-se a nível nacional como um defensor da Regionalização. Num país de reduzidas dimensões como o nosso, as diferentes regiões devem aproximar-se e não fechar-se às outras, aproveitando as curtas distâncias geográficas entre os grandes centros urbanos como algo dinamizador da atividade em Portugal, em setores tão distintos como a economia e a cultura, para dar apenas dois exemplos. Além do mais referido, esta
coesão dá-se também ao nível de uma identidade nacional que vigora em Portugal, não havendo razões de fundo para uma divisão supramunicipal que não apenas a nacional.
Quanto a Braga, em concreto, há primeiro que lembrar que tratamos de alguém que é vice-presidente da Câmara Municipal no executivo liderado por Mesquita Machado. Seria normal que um candidato a uma Câmara prometesse trabalhar na preservação de uma das maravilhas do município, as Sete Fontes, e pelejar pela instauração de um parque temático na cidade, não se desse o caso que este fizesse parte de um executivo que parece empenhado em devastar o património natural e cultural que é o Parque das Sete Fontes e que promoveu a deslocalização de enorme chamariz turístico que era a Bracalândia. A moção até defende a promoção do uso da bicicleta em Braga, mas não será necessário relembrar aos bracarenses a defeituosa e insuficiente obra que é a ciclovia da nossa cidade.
Mais uma vez, à semelhança do ocorrido com a Piscina Olímpica, Vítor Sousa não parece estar em sintonia com o executivo a que pertence. Já à altura de tal acontecimento, a JSD sugeriu que este se demitisse das funções que exerce. É que, de quem diz algo e age de modo exatamente o oposto, já está Braga saturada.




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