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“Não decisões” no Desporto Universitário

Na passada terça-feira, no Seminário “Que futuro para o desporto escolar e desporto universitário”, realizado em Coimbra e promovido pela Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto e pela Federação Académica do Desporto Universitário, durante a sessão de abertura, o Presidente do CRUP (Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas) reconheceu que parte da responsabilidade do atraso do desenvolvimento desportivo nas instituições de ensino superior teria que ser atribuída aos senhores Reitores.

Fernando Parente
8 Jun 2012

Particularmente apreciei este comentário, pela frontalidade desta “mea culpa” coletiva e por concordar totalmente com a afirmação, embora se saiba que existem algumas exceções.
No entanto, foi o próprio CRUP que em 1997, constituiu uma comissão que aprovou o documento “Por um novo conceito de desporto na Universidade”, apresentando-se este em forma de parecer e indicando linhas de ação a seguir. Os reitores reconhecem neste documento a necessidade do desporto fazer parte do projeto educativo de cada Universidade e da formação integral dos estudantes, atendendo ao facto de que a prática desportiva deve ser entendida e “desenvolvida numa dimensão aberta de participação saudável, voluntária e ativa da generalidade dos universitários”. São ainda definidas 4 linhas de atuação fundamentais para o desenvolvimento desportivo no âmbito das instituições de ensino superior: Desde logo, a criação de Serviços Desportivos em cada Universidade, com o objetivo de enquadrar as atividades e práticas desportivas dos estudantes em consonância com os objetivos de cada Instituição e garantindo uma correta aplicação e gestão de todos os recursos, podendo este serviços estar na dependência direta das Reitorias ou dos Serviços de Ação Social e devendo possuir quadros técnicos qualificados para conceberem, planearem e coordenarem as atividades desportivas; A manutenção e atualização das estruturas desportivas deveriam ser financiadas pelo Estado, no entanto, parte deste financiamento deveria ser obtido por concurso, incentivando a inovação e rentabilidade de soluções de enquadramento por parte dos Estabelecimentos de Ensino Superior; As Instalações Desportivas deveriam estar enquadradas no espaço académico, promover e estar fundamentalmente vocacionadas para o desporto para todos, nomeadamente para a manutenção da saúde e lazer; e cada Universidade, através dos seus órgãos competentes, deveria definir a sua política e intervenção na atividade desportiva dos seus estudantes, assumindo desde logo o diálogo e contratualização com os mesmos e à luz da sua autonomia.
Na realidade, este documento com mais de 15 anos, um excelente guião para as instituições de ensino superior atuarem internamente no âmbito do desenvolvimento desportivo, infelizmente não foi levado a sério pela esmagadora maioria dos Reitores. Podemos até afirmar, que a Universidade do Minho foi única instituição que levou a sério estas recomendações desde o seu início, e que não será de estranhar que atualmente a taxa de participação desportiva da sua comunidade se situa acima dos 43%, não tendo comparação com as restantes Instituições de Ensino Superior.
As “não decisões” lógicas e possíveis em 1997 tornam-se agora mais difíceis de concretizar dado o contexto social e económico que se vive em Portugal. Em termos nacionais, poderíamos nesta questão particular estar muito mais à frente, mas agora será mais difícil realizar os aspetos que foram assumidos e subscritos pelos responsáveis das Universidades portuguesas. Quem quis apanhar o comboio no início e há mais tempo vai mais à frente e estará certamente mais preparado para enfrentar os momentos particularmente mais difíceis que vivemos atualmente.




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