Fotografia:
As estrelas de Opalenica

Ao mesmo tempo que cresce a emoção com a aproximação do Campeonato da Europa, cresce também um certo mal-estar perante algum excesso de entusiasmo em torno da seleção. Até eu, que sou adepto de futebol, começo a ficar cansado de tantas reportagens e tanto folclore.

Manuel Cardoso
7 Jun 2012

Manuel José, um dos mais consagrados técnicos portugueses já veio “pôr a boca no trombone” sobre o “circo” que está montado em torno da “equipa de todos nós”. Considerou pouco profissional esta fase de preparação em que o grupo “passou a vida em festas” De facto, só a sua posição de destaque lhe dá o direito de dizer essas coisas sem ser considerado desestabilizador.
Conhecido pela sua frontalidade, Manuel José disse exatamente o que eu penso e, mais grave que isso, veio dar razão a todos os que, não gostando particularmente de futebol, acusam a seleção de viver num mundo irreal, pouco consentâneo com a realidade.
Eu nunca apreciei o cinzentismo daqueles que sempre auguram os maus resultados e veem sempre estas coisas pelo prisma mais negativo; mas também me repugna este entusiasmo artificial, que não é justificado por uma real qualidade superior da seleção, mas apenas por uma imagem que se quer alimentar. Isto pode ter os seus custos. Horas e horas de transmissões televisivas sobre a seleção sem que haja reais motivos de reportagem, sem que haja nada de novo para dizer, servem apenas para criar um entusiasmo desmedido e um acréscimo exagerado de expetativas.
Agora, a completar este ramalhete, veio a notícia de um jornal espanhol (As) segundo a qual a seleção portuguesa é a que gasta mais dinheiro em alojamento (cerca de 33 mil euros por dia), sendo os espanhóis a seleção mais modesta ao gastar pouco mais que 4.700 euros diário. O vice-presidente da federação veio dizer que estes números são superiores aos reais, mas o certo é que também não nos esclareceu mais do que isso. Se realmente os números do jornal espanhol andam perto da verdade, apetece dizer que, afinal, mais vale que voltem depressa…
Mas a verdade é que também há motivos bem positivos para falar da seleção. Nos vinte e três convocados, Paulo Bento conseguiu incluir dez que atuam em Portugal! Não sei se é record mas é um número impressionante: mais de quarenta por cento dos atletas jogam no nosso país.
Mas há um número ainda mais agradável: o Sporting Clube de Braga é o clube com mais jogadores na seleção, em igualdade com o FC do Porto (campeão nacional) e o… Real Madrid! Curiosamente, estes três atletas (Miguel Lopes, Custódio e Hugo Viana) já estiveram ligados a clubes ditos “grandes”. No entanto, é política destes escolher estrangeiros de qualidade duvidosa e preços agigantados. Consigo mesmo imaginar os dirigentes destes clubes a consultar uns catálogos coloridos, em papel brilhante do tipo folhetos turísticos ou brochuras de automóveis, com os craques apresentados pelos senhores empresários a troco de “modestas” percentagens… por mim, faço votos para que assim continuem, para que permitam ao SC de Braga (e outros clubes que eles consideram menores) ficar com profissionais exemplares como os três que referi acima.




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