Fotografia:
Braga romana – ao cair do pano…

O recente evento da Braga Romana, com as caraterísticas e envolvências de todos conhecidas, e que, de há alguns anos a esta parte, vem engalanando a nossa Augusta Cidade, merece da nossa parte alguns breves reparos, numa perspetiva construtiva de quem observa os factos e deles procura algo para futuras reflexões.

Domingos Alves
4 Jun 2012

Foi o que aconteceu, por exemplo, quando alguns comerciantes não apresentaram a indumentária exigida, ou certos utentes de tendas e barracas de “comes e bebes” serviram os produtos, não em louça de barro, como seria logicamente desejável, mas em plásticos ou alumínios tão fora de contexto… (ver Diário do Minho de 27 de maio). Neste, como noutros casos, ultrapassou-se lamentavelmente o verdadeiro rigor histórico, que também não foi respeitado por aqueles que identificaram as escolas e associações escolares, ao cometerem erros morfossintáticos nos escritos latinos que encimavam as respetivas barracas, com duas honrosas exceções, embora por motivos diferentes: a dos Voluntários de Proximidade de S.Vicente, onde se podia ler em carateres bem explícitos “Tabernaculum Vicentinum”, cuja tradução correta é “Tenda Vicentina”, e a da Escola Secundária de Sá de Miranda que, para evitar confusões, ou possíveis “lapsus linguae”, optou, e bem, pelo português vernáculo. É que, convenhamos, é preferível a correção em bom português aos erros de Latim em tempos de comemoração romana.
Em todo o caso, porém, e em termos globais, este evento da Braga Romana constituiu, sem dúvida, um grande êxito e a prova disso foram os muitos milhares de visitantes que, de todos os lados, afluiram à nossa cidade, nomeadamente para assistirem aos dois cortejos (um diurno, mais dedicado às escolas, jardins de infância e associações infanto/juvenis; outro noturno, este caracterizado por motivos alegóricos, onde pontificavam, sobretudo, elementos já mais adultos. E aqui permitam-nos um parêntese para salientar a magnífica participação da Escola Secundária de Sá de Miranda, que entendeu por bem reconstituir um Cortejo Fúnebre Romano, cuja explicação, breve, mas excelente, constava de um pequeno folheto a que tivemos acesso e que passamos a citar:
(…) “O ritual funerário romano, assim como na atualidade, já procedia ao velório, ao cortejo ou procissão fúnebre, ao enterro ou inceneração, ao luto, à dor e ao apaziguamento das almas. Esta reconstituição histórica, promovida pela Escola Sá de Miranda, pretende recriar o cortejo fúnebre do legionário lusitano Marcus Antonius, originário de Pax Julia (Beja). No século I, este legionário serviu dezoito anos a Legião Romana – Legião VII Gemina Felix – e foi sepultado em Bracara Augusta com 45 anos de idade (a respetiva estela funerária integra hoje o espólio de Museu D. Diogo de Sousa)”
Segundo testemunhos vários que pudemos obter na referida Escola, esta excelente iniciativa foi objeto de um grande esforço e aturado trabalho, com longas horas passadas na confeção das indumentárias, na elaboração dos trechos musicais e nos sempre meticulosos ensaios preparatórios – tudo levado a cabo pelos próprios intervenientes.  No final, foi o que se viu: uma espetacular dramatização a que ninguém ficou indiferente!
Aliás, no átrio da Escola que dá acesso à biblioteca, poderá o estimado leitor presenciar, ainda como complemento do que atrás fica dito, uma singela e oportuna exposição, igualmente relativa à cultura romana.
Enfim, mais um pano caiu sobre a Braga Romana, este ano bem melhor e, certamente, com tendência para melhorar ainda mais no futuro. Quanto ao rigor histórico, a própria mentora do projeto, Sr.ª Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Braga, Dr.ª Ilda Carneiro, a quem já tivemos oportunidade de pessoalmente felicitar, reconhece que as exigências cada vez terão de ser maiores. Pela nossa parte, assim o desejamos e assim o esperamos.




Notícias relacionadas


Scroll Up