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O homem e a procura da felicidade

O que é a felicidade? Quando olho o mundo com atenção e observo as pessoas sempre a correrem e, tantas vezes, de semblante carregado, pergunto-me o porquê de tanta agitação, de tanto stress e dou muitas vezes comigo a pensar, o que é a felicidade? O que nos poderia ajudar a dar mais sentido à vida, a torná-la mais leve e a fazer do sorriso um companheiro de todos os dias?

Sara Meireles
3 Jun 2012

Esta pergunta é uma interrogação de ontem, de hoje e de sempre, porque no âmago de cada ser humano está gravado o desejo de ser feliz. Se o ímpeto para a felicidade é uma vocação nossa que nos faz persegui-la e até a  tornar realizável, por que é que há tanta gente infeliz, por que é que temos tantas dificuldades em construir a felicidade?
Por que é que há pessoas que “aparentemente” não têm nada, enfrentam dificuldades de toda a ordem – económicas, problemas de saúde, contextos socioculturais difíceis – sentem-se felizes e, mesmo assim, encontram sentido na vida, enquanto que há outras que “aparentemente” têm tudo – dinheiro, poder e mesmo pertencendo a meios privilegiados sentem-se as pessoas mais desgraçadas do mundo?
Estas e outras perguntas têm-me feito pensar muito e a procurar dentro e fora de mim esclarecimento para estas dúvidas.
Por agora, no meu olhar de “peregrina do saber” que procura, sabendo que quase tudo me falta aprender, encontro na sociedade materialista, hedonista, que desenvolveu o relativismo, o facilitismo, o culto das aparências e a competição, fatores importantes que desorientaram o Homem de hoje, distraindo-o, seduzindo-o e afastando-o de ser quem é.
Esta crise ocidental afetou a educação e a cultura. Os meios de informação também não estiveram à altura de contribuir para o desenvolvimento pes-
soal e social do Homem; muitas vezes até o dificultaram, confundindo-o e não lhe permitindo discernir entre o superficial e o profundo, o imediato e o duradouro, manipulando-o muitas vezes no sentido do desejar e não do querer, ou seja, não promovendo uma educação e uma cultura assente no conhecimento, na liberdade e na responsabilidade.
Os adolescentes, que são os futuros adultos, são as principais vítimas desta crise, porque os modelos que vão recebendo apontam cada vez mais para o prazer imediato, para rea-
lizações fáceis, ou seja, para o curto prazo que tem pouco a ver com a realização pessoal de cada um, mas muito a ver com a sociedade da pressa e do fast-food que se vive em todos os setores da vida.
É uma moda difícil de contrariar, até pelos adultos, quanto mais pelos adolescentes. A sociedade de consumo e da competição, consome os dias e as energias que seriam necessárias para o desenvolvimento de um projeto coletivo e pessoal autêntico, ancorado na estrutura familiar, social e histórico-cultural que promoveriam o desenvolvimento humano.
Talvez por estarmos nesta crise é que se fale tanto de felicidade e se corra tanto atrás dela e, embora tenhamos meios técnicos e científicos como nunca tivemos, talvez o homem nunca se tenha sentido tão vazio.
Talvez por isso sejam raros os sorrisos, e os rostos carregados já não são só uma marca da idade avançada, mas encontramo-los cada vez mais nos jovens.
Eu viajo todos os dias e é assustador o que observo todas as manhãs. Sente-se nos rostos e corpos das pessoas com quem me cruzo, que o dia que desperta é um peso e não uma dádiva. Na pressa de chegar, os encontrões substituem os bons dias, os pais gritam com os filhos porque estão atrasados, os filhos ofendem os pais porque os consideram “cotas” e não satisfazem os seus desejos de momento e, além da confusão, sente-se que o vazio e a angústia enchem as pessoas que circulam. Mas há exceções, há algumas pessoas que se alheiam de tudo isto e outras, como eu, observam e se interrogam do porquê de tanta agitação e correria e outras ainda, poucas sem dúvida, devolvem uma gentileza e até um sorriso!
Então o que é que poderá fazer mudar esta situação? O que é que terá o poder de saciar o Homem dessa fome de felicidade? Onde podemos encontrar a “Pedra Filosofal” que nos fará felizes? Se recuaremos no tempo e nos debruçarmos sobre as reflexões filosóficas dos grandes pensadores da Antiguidade e também nos de hoje, talvez encontremos pistas que possam orientar o nosso caminho e nos ajudem a encontrar meios para sermos felizes, já que penso que a felicidade consiste na nossa plena realização, que quando se alcança, também transborda em dons para os outros e assim se criarão laços de fraterna amizade na busca constante duma felicidade.




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