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Não gosto

Poder-se-á pensar ou afirmar que o homem ainda não está civilizado? Mas se estivesse civilizado, sentir-se-ia feliz, útil, sossegado ou seria ainda pior (para o homem) ser civilizado? Verdade, verdade é que a maioria dos homens não se sente incivilizada, pelo contrário! Assim sendo, porquê tanta maldade, egoísmo e ganância? Será que o homem, ao nascer, traz estes e outros defeitos?

Artur Soares
3 Jun 2012

Mas se optamos por afirmar ou pensar que o homem (ainda) não está ou não é civilizado, por que será que tenta enganar o próximo? Uma afirmação penso poder fazer-se: todos os homens se esquecem dos verdadeiros fins e fazem dos meios seus objetivos. Mas será então que a Humanidade é uma multidão feliz, mas de uma felicidade miserável e vergonhosa, que vive na imbecilidade e inconsciência?
Parece ser verdade, todo o homem viver e sentir-se amordaçado ou cadeado. E quando será que o homem terá liberdade? Mas que liberdade?
A sociedade inventa, cria e impõe as suas leis. Logo, o homem tem mais ou menos dificuldades em conviver e, daí, nascerem-lhe defeitos e ter de viver neles e com eles.
Desse modo – e embora saiba que sou “Humanidade”, que vivo nela e com ela, alimentando ou não os meus defeitos e a minha maneira de ser e de estar nela – sinto-me no direito de pedir que passem por mim a 300 quilómetro/hora aqueles que dificilmente riem e que convivem permanentemente mal dispostas.
Aqueles que boicotam a alegria onde quer que estejam. Não gosto de gente que busca a bajulação e que inveja a posição social d’alguém.
Os inoportunos, que não se interiorizam, que não se interrogam, que dificilmente dão valor aos outros e muito menos elogiam seja quem for, e aqueles que usam simplesmente a cabeça e nunca dão satisfações ao coração.
Os que não se assumem, que maldizem com ou sem razão, que sempre decidem a vida, segundo o que lhes parece ou segundo a informação que recolhem aos ouvidos, que nunca se sentem errados, que nada arriscam e se limitam a esperar que Deus lhes faça diariamente milagres.
Os que nunca apontam o erro para construir e se limitam a criticar e a ferir desordenadamente os outros, por não terem a coragem e a sinceridade de falarem de frente. A estes chamo-lhes agitadores e inimigos da verdade.
Os ocos por dentro – embora pareçam maciços por fora – os falsos, ficticiamente delicados, hipócritas que, num frente a frente, concordam com tudo. Desejo que sejam rápidos a passar, os voláteis, os teimosos e os despidos de ideias e de caráter;
Os injustos, os que pensam que só eles existem, os que sempre reivindicam direitos, os que nunca veem Deus nas coisas e aqueles que, de si mesmos, nunca têm nada para dar.
Os sem personalidade própria, aqueles que apenas seguem a horizontalidade e ostracizam a verticalidade, os que nunca têm dúvidas e, errando, não se reconhecem nem mudam de rumo.
Que passem rapidamente por mim os indolentes, os que não fazem nem deixam fazer, os apáticos ou indiferentes, que necessitam constantemente de ser admoestados ou empurrados para algo acontecer e aqueles que tendo ideias e sonhos, deixam que tais valores percam atualidade, nas gavetas do medo ou da preguiça.
Resumindo: defendo a tolerância, a delicadeza e a oportunidade que deve dar-se a todos os homens. Mas que a insensibilidade, a cobardia, o individualismo, a malvadez, a má educação, a arrogância, a falsidade, a ingratidão, a falta de tino e de solidariedade passem por mim à velocidade dum avião supersónico.
Eis os defeitos que mais se usam e mais se vendem hoje. Há que estar ao largo, longe dessas águas paradas.




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