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Do que a juventude é capaz

Muitas vezes, somos “violentados” com notícias que dizem “este jovem matou, este jovem atropelou, este jovem violou” e rapidamente criticamos e crucificamos toda uma geração como se toda ela fosse “farinha do mesmo saco”. Pois bem, aquilo que tenho para contar vai, exatamente, no sentido oposto. Numa das poucas noites que me sento em frente ao computador, via rede social, descobri que estava na televisão uma das minhas ex-professoras. Confesso que a ouvi atentamente a falar dos seus projetos de cariz social e, apaixonadamente, fui dormir.

Rui Manuel Silva Pereira
2 Jun 2012

No dia imediatamente a seguir, desafiei o Grupo de Jovens de São Pedro de Escudeiros a fazerem comigo um fim de semana diferente: queria simplesmente perceber como era possível fazer tanto se o dia só tem 24h.
Contrariamente àquilo que, normalmente, as pessoas pensariam, esta ideia foi, na hora, aceite pelo grupo de jovens e, nesse mesmo dia, entrei em contacto com a Irmã Fátima Salgado Magalhães, religiosa do Colégio Teresiano, há alguns anos radicada no Colégio Luso-
-Internacional de Elvas.
Tudo tratado, partimos para Elvas. Levávamos na alma uma enorme vontade de trabalhar, de conhecer uma realidade nova, mas, confesso, também partíamos com a inquietação do que íamos encontrar. Assim, fomos sete jovens mais eu à procura de Elvas. Chegados à pacata cidade alentejana, tínhamos à nossa espera um Colégio de braços abertos. A preocupação de nos proporcionarem uma refeição quente contrastava com a nossa ânsia de, naquele momento, rapidamente nos juntarmos a um grupo que estava em Vigília ao Espírito Santo. Tivemos a capacidade de jantar, rapidamente, e nos juntarmos, sendo recebidos com a maior hospitalidade por todos os presentes, desde o Pároco até aos elementos do Movimento Teresiano de Apostolado.
Instalados no ginásio deste Colégio, o tempo era de repouso. Afinal, na manhã seguinte, bem cedo, começaríamos o dia.
O sábado começou ainda não eram 9h00. Com a Irmã Fátima Salgado tomámos o pequeno almoço, soubemos que iríamos ao Estabelecimento Prisional de Elvas contactar e conversar com reclusos. Ficamos todos com um “bichinho na barriga”. Nenhum de nós sabia o que era o ambiente prisional nem tão pouco tínhamos falado tão de perto com alguém que se encontra nessa situação. Entrámos a medo, mas facilmente percebemos que não somos ninguém para julgar quem errou e paga pelo erro que cometeu. Ouvimos, muito, aprendemos, demais. Tivemos relatos que nos marcarão para a vida toda e o sentimento que somos muito pequeninos. No fim, foi deveras encorajador ver essas PESSOAS a virem cumprimentar-nos desejando boa sorte e juízo.
Mas o dia ainda era uma criança. Divididos em dois grupos, partimos para nova tarefa. Uns iriam estar na recolha de alimentos para o Banco Alimentar, numa grande superfície comercial; outros iriam fazer cabazes para entregar aos mais necessitados. Na recolha de alimentos, rapidamente enchemos um carrinho, enquanto na elaboração dos cabazes facilmente chegámos aos 100. Era fácil. Tínhamos a noção de que estávamos a ajudar a minorar uma vida dura.
Tempo para almoço. Retemperar forças, com um brinde: carne de porco à alentejana. O tempo era de trabalho. Portanto, regressámos a ele. Enquanto novo grupo ia para a recolha, o outro ficou a separar peluches para crianças. Que coisa maravilhosa pensarmos na cara de felicidade de muitas crianças!
Tempo da Eucaristia, de nos encontrarmos com Deus e de, seguidamente, fazermos um belo jantar com os jovens do MTA de Elvas.
Domingo, dia da despedida, não sem antes termos realizado a última recolha de alimentos e ajudado a preparar a festa do MTA em Elvas. Ao almoço, fomos brindados com um fabuloso repasto: paelha, com direito a dedicatória e tudo.
Esta explicação toda apenas serve para exemplificar o que sete jovens de uma freguesia como Escudeiros foi fazer a Elvas. Foi algo fantástico ver a maneira como trabalharam, como se dedicaram, como fizeram tudo sem um único lamento! Tivemos sempre a presença de uma força da Natureza: a Irmã Fátima. Esta mulher é, hoje, também em Elvas, olhada como um exemplo de solidariedade. Não da solidariedade como acto de minorar mas sim como acto de partilha e ajuda.
Tem a seu lado um conjunto de pessoas fabulosas. Conhecemos bem algumas delas, desde as “mais experientes” até às mais novas. A todos agradecemos muito, muito, muito a hospitalidade.
Este testemunho pessoal serve apenas para percebermos que é possível. É possível arregaçar as mangas e lutarmos para minorar a vida de quem sofre. De Elvas trazemos duas coisas muito importantes: a vontade de servir sem ser servidos, e o coração cheio por quem tão bem nos acolheu e tratou.




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